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Sim, sim, não, não!

Sim, sim, não, não!

O prezado leitor, certamente, conhece a história daquele homem que se gabava de viver “às mil maravilhas” com mulher e filhos.
Um amigo, que sabia de coisas por ele ignoradas, recomendou-lhe que testasse os familiares anunciando a cada um, enfaticamente:
– Eu sei de tudo!
Assim fez.
Ante a afirmativa peremptória, todos mostraram a face oculta.
A esposa estava enrolada no Banco.
O filho consumia drogas.
A filha praticara um aborto.
A sogra o difamava.
A doméstica o roubava.
Quase “fundiu a cuca” ao perceber que estava mergulhado num oceano de falsidades.


***

É a imaturidade que leva o indivíduo a mentir.
Falta à verdade para tirar vantagem, furtar-se às suas responsabilidades, livrar-se de seus problemas…
É típico de nosso povo. Não obstante a índole fraterna e boa, está sempre disposto a burlar os regulamentos e infringir a lei, em iniciativas que a sabedoria popular define como o “jeitinho brasileiro”.
Mas, antes de constituir característica de uma nação ou de uma raça, a mentira exprime tendência inerente à Humanidade, no estágio de evolução em que nos encontramos.
Por isso, o profeta Isaías enfatizava que todo homem é mentiroso.
Reporta-se, obviamente, ao ser humano, porquanto também as nobres representantes do sexo feminino fazem das suas.
Dizem as más línguas que as mulheres aprendem a chorar para que as pessoas acreditem em suas lorotas.


***

A mentira está na raiz de todos os males, estendendo-se como erva daninha no relacionamento social.
Filhos dela, instrumentos de auto-afirmação social e profissional, temos a bajulação, a calúnia, a demagogia, a hipocrisia, a maledicência…
E não é novidade que alguns dos melhores propagandistas e vendedores dos produtos de consumo são incríveis mentirosos, hábeis na arte de iludir os incautos com sua falácia.
A rainha desse engodo é a televisão.
Montada sobre objetivos mercantilistas, condiciona nossos hábitos, nossas iniciativas, nossa maneira de viver…
Ante a sutileza da técnica de envolver e das imagens condicionantes, operam-se prodígios.
Produtos de duvidoso valor nutritivo, aparecem como fontes de vitalidade.
Substâncias inócuas, transformam-se em panacéias, capazes de resolver variados problemas de saúde.
Lojas que exploram a bolsa do povo, são exaltadas como o paraíso da economia.
O pior está nos comerciais do cigarro, apresentados com tais requintes que convencem os incautos de que fumar dá status, torna o indivíduo atraente viril, campeão do sucesso, capaz de desfrutar plenamente as delícias da vida.
“Entre para o mundo de …” – diz a propaganda famosa, que nos apresenta belos cavalos, fazendas magníficas, prados verdejantes, homens viris, belos e felizes, a fumar tranqüilamente, passando a falsa idéia de que fumar é tudo isso.
Deveriam incluir alguns asnos, a representar os incautos que embarcam nessa criminosa impostura.


***

Observe algo significativo, amigo leitor: todo o mal no Mundo está associado à mentira!
Pudéssemos eliminá-la e estaríamos às portas do Reino Divino. Sem ela, não haveria adultério, estelionato, roubo, corrupção, políticos venais, comerciantes desonestos, atletas drogados…
Para que nos disponhamos a esse esforço é preciso admitir que, longe de resolver os nossos problemas, a mentira apenas os transfere, em regime de débito agravado.
Podemos mandar dizer ao credor que não estamos em casa, mas ele voltará, com juros acrescidos.
O mentiroso torna-se escravo da mentira. Para sustentar a falsidade inicial é obrigado a mentir sempre, comprometendo-se moral e espiritualmente.
No tesouro de minhas recordações mais ternas da infância, há a figura de Pinóquio, boneco feito gente, cujo nariz crescia desmesuradamente, sempre que mentia.
Evidente que o apêndice nasal não se altera quando faltarmos à verdade. Se acontecesse, raros evitariam narigadas.
Não obstante, desajusta-se o nosso psiquismo, situando-nos à mercê de influências inferiores.
Em nosso próprio benefício, portanto, é recomendável cultivar a verdade, sustentando um comportamento compatível com a recomendação de Jesus:

Seja o vosso falar, sim, sim, não, não! (Mateus, 5:37).

Ainda que em princípio nos julguemos em desvantagem, num mundo onde raros não mentem, conquistaremos algo de valor inestimável, sem o qual é complicado conviver:

A confiança das pessoas.


Livro Para Rir e Refletir


 

2010 - Richard Simonetti