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Tinha que acontecer?

Tinha que acontecer?

Lucas, 13:1-9


E se Hitler houvesse vencido a guerra e estivéssemos sob tutela alemã?
Impensável, não é mesmo, amigo leitor?
Algo semelhante ocorria com os judeus, ante a presença dos dominadores romanos. Abominavam tal situação. Havia freqüentes rebeliões, reprimidas com braço de ferro pelos representantes de César.
Numa delas, alguns galileus foram sumariamente executados pelo procurador Pôncio Pilatos.
Na mesma ocasião deu-se funesto acontecimento em Jerusalém. Uma torre desabou nas proximidades do tanque de Siloé. Morreram dezoito pessoas.
Notícias assim espalham-se como folhas ao vento.
Em breve, Jesus era procurado para exprimir sua opinião.
Surpreendendo seus ouvintes, afirmou:

– Acreditais que esses galileus fossem mais pecadores do que todos os outros, por sofrerem assim? Digo-vos que não. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos da mesma forma. Ou esses dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, pensais que foram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, eu vos digo; mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo.

Temos nessas afirmativas importante material para reflexão.
Compadecemo-nos daqueles que morrem executados, assassinados, acidentados...
Quanto mais extensa e grave a tragédia, maior a comiseração que desperta.
No meio espírita logo vem a afirmativa:
– Grandes devedores! Resgataram pesados débitos cármicos!
No entanto, Jesus explica que aqueles que vivem esses dramas não são mais culpados que qualquer outro ser humano.
Significa que todos podemos passar pelo mesmo.
Imaginemos sentenciados confinados num presídio.
Atos de violência são freqüentes ali, inerentes à condição dos “inquilinos”, habituados a resolver suas pendências “no braço”.
Há estupros, assassinatos, agressões, mutilações, torturas…
Nada disso faz parte de sua pena.
Pode acontecer, simplesmente porque estão ali.
Se houvessem optado por um comportamento virtuoso e digno, estariam em local mais saudável.


***

Nosso mundo não é morada de anjos.
Situa-se qual imenso reformatório-escola.
É de “segurança máxima”, como diria uma autoridade policial. Nenhum prisioneiro jamais conseguiu evadir-se do planeta. Mesmo quando tiramos o “uniforme”, o corpo físico, permanecemos aqui, transferidos para o “andar de cima”, a espiritualidade.
Não há um tempo certo para a libertação. Depende de nós, de nosso esforço em favor da própria regeneração.
Males variados que nos afligem nem sempre fazem parte de nossos compromissos cármicos. São inerentes à jornada terrestre.
Acontecem por um único motivo:
Estamos aqui.

***

Obviamente, há tragédias que atendem às opções das vítimas, por imposição da própria consciência.
André Luiz, no livro Ação e Reação, psicografia de Francisco Cândido Xavier, fala-nos de dois Espíritos que, em existência recuada, cultivavam péssimo hábito – atiravam seus desafetos do alto de penhascos.
Séculos depois, já esclarecidos e renovados, pesava em seu currículo espiritual o registro daqueles crimes tenebrosos.
Planejaram, então, participar dos primórdios da aviação, vindo a morrer num aparelho que se espatifou no solo, algo semelhante ao que faziam com suas vítimas.
Espíritos em provação, valorizaram o resgate de seus débitos como pioneiros da aeronáutica.


***

Há quem se envolva em acontecimentos trágicos não programados, embora cabíveis no contexto de seu aprendizado.
Acontecem em decorrência do livre-arbítrio mal orientado.
Certamente você, leitor amigo, estará matutando:
Como saber se determinadas mortes deviam acontecer?
Difícil responder.
É assunto para o Além, quando formos chamados à avaliação da jornada terrestre.
Inegável é o fato de que tragédias ocorrem, não como um carma a ser cumprido, mas em decorrência de nossos descuidos.

• Após lauto almoço, na festa campestre, regada a álcool, o rapaz atira-se na represa. Hábil nadador, afasta-se em rápidas braçadas. De repente, começa a gritar por socorro, debatendo-se em violenta congestão. Não há tempo para socorrê-lo. O infeliz afoga-se.
Fatalidade ou imprudência?

• A fila no caixa do supermercado é extensa. Alguém critica a empresa, por não colocar mais atendentes. O atendente irrita-se. Discutem. Agridem-se. Um deles, ferido gravemente, vai parar no hospital e morre.
Chegou sua hora ou vitimou-o sua índole agressiva?

• O motorista está atrasado para um compromisso. Acelera ao máximo, não tomando conhecimento dos sinais de trânsito. Numa curva, perde o controle do automóvel, que capota espetacularmente. Sofre traumatismo craniano e morre no local.
Fim programado ou mera conseqüência da indisciplina?

• O rapaz envolve-se com drogas. Para alimentar o vício torna-se traficante. Resvala para o crime. Confronta-se freqüentemente com bandidos e policiais. Acaba fuzilado num tiroteio.
Cumpriu uma sina ou apenas caiu no abismo que procurou?

• A esposa descobre que o marido montou uma “filial”, ligando-se a jovem insinuante. Exaspera-se, fica tão revoltada que sofre síncope fulminante.
Era tempo de morrer ou morreu antes do tempo, vitimada pelo ódio?
O marido, por sua vez estava atendendo a inexorável convocação do destino ou simplesmente comprometeu-se numa aventura passional?

Nem sempre o funesto está programado.
Acontece por não cumprimos os programas da Vida.
Quando Jesus enfatiza a necessidade do arrependimento, deixa bem claro que é preciso superar idéias e sentimentos passíveis de nos induzirem a um comportamento desajustado.
Se assim fizermos estaremos à mercê da adversidade, como barco sem leme em mar revolto.
Significativa sua afirmação:

– …se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo.

Temos aqui uma profecia.
Com seu caráter belicoso, tantas foram as provocações e rebeliões dos judeus, diante do todo poderoso império romano, que no ano 70, o general Tito destruiu Jerusalém, não deixando pedra sobre pedra, inclusive o Templo.
Quanto à população, quem não fugiu, morreu.
A partir dali desaparecia o Estado judeu, que só voltaria a existir em 1948, quando a ONU fez um arranjo para a criação de Israel.
Em face de seu atraso moral, a Humanidade não raro, anda em corda bamba.
Se durante a guerra fria, envolvendo Rússia e Estados Unidos, seus dirigentes não houvessem criado juízo, poderíamos ter perecido todos numa hecatombe nuclear.


***

O Mestre ilustra suas afirmativas, dizendo:

Um homem tinha uma figueira em sua vinha e, indo colher-lhe os frutos, nenhum achou. Disse, então, ao viticultor:
– Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não encontro nenhum. Corta-a! Por que ocupa ainda a terra inutilmente?
Respondeu-lhe o viticultor:
– Senhor, deixa mais este ano, até que eu cave em roda e lhe ponha adubo. Se der fruto no futuro, ficará. Caso contrário, mandarás cortá-la..

Não raro, guardamos esterilidade espiritual durante existências inteiras, preocupados com interesses imediatistas, prazeres e riquezas.
Os benfeitores espirituais oferecem-nos precioso auxílio. Amparam, ajudam, inspiram, orientam...
Representam o cuidado do Céu estimulando-nos a produzir os frutos desejados.
Mas, se insistimos na rebeldia, na indiferença pelos valores mais nobres, candidatamo-nos a experiências dolorosas que agitam nossas almas e despertam nossa consciência, estimulando-nos ao cultivo de sementes mais produtivas.
Felizes aqueles que corrigem seus rumos, submetendo-se às leis divinas.
Habilitam-se à plena proteção da Espiritualidade.
Enfrentam apenas o que está programado, sem experiências dolorosas, conseqüentes do livre arbítrio mal orientado.


***

O tempo passava…
Em breves meses Jesus encerraria sua jornada, completando a gloriosa trajetória.
Faria várias viagens, ainda, particularmente pelas regiões da Peréia.
Continuaria a ensinar como podemos tomar as rédeas do próprio destino, em meio às contingências deste planeta de provas e expiações em que vivemos, segundo a expressão espírita.
Basta cumprir a vontade de Deus, que se exprime na excelência de suas lições.
Se o fizermos, jamais pesará sobre nossos ombros uma grama sequer de dores e atribulações, que ultrapassem a medida de nossos compromissos cármicos.
Praza aos Céus, leitor amigo, sejamos alunos aplicados!


Livro Não Peques Mais!

2010 - Richard Simonetti