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O que viemos fazer

O que viemos fazer

Quando começou a Terra a ser povoada?
No começo tudo era caos; os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco cada coisa tomou o seu lugar. Apareceram então os seres vivos apropriados ao estado do globo.

Questão nº 43

O simplório camponês observava o escultor trabalhando a pedra bruta.
Aos poucos, ante os golpes do cinzel, habilidosamente usado, surgia uma figura humana.
Concluída a escultura, perguntou admirado:
-Como vosmecê descobriu que essa estátua estava escondida na pedra?
***

A história lembra um pouco a criação de Adão, na Bíblia.
Deus tomou um pouco de barro, deu-lhe forma humana, soprou-lhe as narinas e surgiu o primeiro homem.
-Que mágica foi essa? - perguntaria o mesmo espectador, imaginando a existência de uma alquimia secreta para a prodigiosa transformação.
Há algo de real escondido na fantasia bíblica.
Podemos situar o barro como o símbolo dos elementos químicos usados por Deus para criar o homem.
Há aproximadamente quatro bilhões e meio de anos a Terra era uma gigantesca fornalha, miniatura do sol.
Um bilhão de anos mais tarde, com o esfriamento do planeta, formou-se uma fina camada, a crosta terrestre.
Em seguida, alterações atmosféricas produziram chuvas torrenciais que durante milhões de anos desceram sobre o planeta, dando origem aos oceanos.
Qual gigantesco caldo quente, a massa líquida ofereceu condições para o aparecimento dos primeiros seres vivos, organismos microscópicos, cuja expressão mais simples é o vírus.
A partir daí, como expõe Darwin em sua teoria evolucionista, eles se desenvolveram paulatinamente em complexidade e forma, até atingir, bilhões de anos mais tarde, condições para o aparecimento do Homem.

***

As células, peças vivas que compõem os seres da criação, são extremamente especializadas, sustentando em cada indivíduo, do reino vegetal ou animal, uma estrutura física compatível com sua espécie.
Há células para a pele, para os olhos, para o cérebro, para o aparelho digestivo, para os órgãos reprodutores...
Nos vegetais o mesmo mecanismo, envolvendo semente, casca, folhas...
Que força milagrosa sustenta seu funcionamento harmonioso, coeso e disciplinado, qual exímio maestro a reger prodigiosa orquestra?
Por outro lado, como os seres vivos conservam a capacidade de se auto-aprimorar, programados para incorporar experiências e informações, como uma pedra que moldasse a si mesma, convertendo-se numa escultura, ou o barro que se organizasse para o aparecimento do homem?
A Ciência jamais encontrará resposta convincente a essas indagações enquanto suas vistas estiverem voltadas para a matéria, sem cogitar do que os olhos não vêem.
Aprendemos com a Doutrina Espírita que existe um modelo organizador. um organismo semi-material que sustenta a unidade orgânica e que sobrevive à desagregação celular provocada pela morte.
É o perispírito ou corpo espiritual, veículo intermediário que possibilita ao Espírito o mergulho na carne.
Todas as formas de vida são sustentadas por esse modelo que se aprimora incessantemente, acompanhando a evolução do ser pensante, a individualidade eterna que ontem foi apenas um princípio espiritual a animar os seres inferiores da criação.
Desde a matéria primitiva à consciência, desde o barro à humanidade, um longo caminho foi trilhado.
Atingimos culminâncias.
Detemos tão prodigioso desenvolvimento mental e intelectual que até há entre nós gente inchada de ciência que duvida de nossa origem divina, como o fruto a negar a árvore que o produziu.

***

Há algo bem mais importante do que questionar nossas origens.
Definir por que estamos aqui.
Numa pesquisa, a seguinte pergunta:
-O que você procura?
Respostas variadas.
A maioria:
-Curtir a Vida.
-Ser feliz.
-Ter conforto e riqueza.
-Conquistar prestígio e poder.
Resumindo:
As pessoas estão presas ao imediatismo terrestre.
Nada sabem nem querem saber quanto às finalidades da existência terrestre.
É lamentável.
Como evitar desvios se não cogitamos das metas que nos compete atingir?
Impossível cumprir um planejamento sem conhecimento mínimo do que deve ser feito.
***

No livro Vida Antes da Vida, a Dra. Helen Wambach, psicóloga norte-americana, reporta-se à experiência de regressão de memória que fez com centenas de voluntários, levando-os ao limiar da presente existência.
Dentre variadas perguntas apresentadas, uma fundamental:

Com que objetivo você reencarnou?

25% reencarnaram para desenvolver experiências de aprendizado sobre si mesmos e sobre a vida.
18% reencarnaram para se harmonizar com seus familiares.
18% reencarnaram para cultivar os valores do amor, aprendendo a se doar em favor dos semelhantes.
27% reencarnaram para crescer espiritualmente vinculando-se à orientação das pessoas.
Os restantes 12% tinham objetivos variados:
-Reencarnei para vencer o medo...
-Reencarnei para livrar-me do materialismo...
-Reencarnei para cultivar a humildade...
-Reencarnei para exercitar uma liderança construtiva...
-Reencarnei para treinar o contato com os irmãos do espaço...
Diz a psicóloga:

Em síntese, as razões para as pessoas escolherem esta vida na Terra não foram, especificamente, com vistas ao desenvolvimento de seus próprios talentos. Ao invés disso, os objetivos consistiam em aprender a se relacionarem com outros e a amarem sem exigências ou possessividade.

Outro aspecto muito interessante:
Quase todos traziam uma orientação básica para que pudessem cumprir sua programação - fazer ao semelhante o bem que gostariam de receber dele.
A regra áurea de Jesus surge como a suprema orientação do Espírito ao reencarnar.

***

Assim como as pessoas pesquisadas por Helen Wambach, muitos de nós reencarnamos com propósitos edificantes, relacionados com nosso progresso, o combate aos vícios e às paixões, o domínio sobre nós mesmos, a prática do Bem, o empenho de renovação.
Uma perguntinha:
Estamos cumprindo essa programação?
E mais:
Não serão nossas angústias e inquietações, desajustes e perturbações, dores e enfermidades, a mera conseqüência do descompasso entre o que planejamos e o que fazemos?
Um bom assunto para conversar com nossos botões...

Livro A Presença de Deus

2010 - Richard Simonetti