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João Mendes - Homenagem

João Mendes - Homenagem

O apóstolo Tiago, divinamente inspirado, resumiu em poucas palavras o que é a verdadeira religiosidade em sua Epístola Universal (1:27):
A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.
A viúva e os órfãos representam os carentes de todos os matizes, filhos de Deus que somos chamados a amparar quando realmente vinculados a uma religião pela disposição em vivenciar seus princípios.
Se a religião é o caminho para Deus, a ponte é o próximo. Impossível demonstrar amor pelo Pai sem fazer algo por seus filhos. Foi o que Jesus no ensinou ao proclamar que amar a Deus equivale a amar o próximo.
Eu diria, caro leitor, que a segunda proposta de Tiago, guardar-se da corrupção do mundo, é mera consequência do empenho por observar a primeira.
Não há melhor detergente para o coração, capaz de sustentar-lhe a integridade e a pureza do que o serviço do Bem.
E isto por uma razão muito simples: o que nos corrompe, levando-nos a um comportamento comprometedor, é o egoísmo. É por pensar muito em si mesmo que o indivíduo alimenta-se de ambições e resvala para a inconsequência.
O serviço do Bem, que nos induz a pensar no próximo, neutraliza o egoísmo e favorece um comportamento honesto e digno.
***
Faço estas conjecturas em homenagem a João Mendes, um companheiro querido que partiu para a pátria espiritual aos 83 anos, após uma existência de dedicação aos carentes, com tal empenho que incontaminado manteve seu coração.
Foi diretor do Centro Espírita Amor e Caridade por muitos anos. Sempre admirei nele a vocação de servir – era pau para toda obra, jamais se negando a colaborar nas iniciativas da diretoria, principalmente quando objetivavam atender a pobreza.
Vários setores de promoção social que funcionam hoje no CEAC começaram como casas de sopa, a partir da de seu esforço decidido, empolgado com a possibilidade de ajudar famílias carentes.
Em dezembro empenhava-se em campanha de arrecadação de recursos para preparar cestas básicas que distribuía na periferia. Dizia que só assim conseguia comemorar o Natal com sua família, após ter contribuído para que centenas de famílias pobres tivessem sua ceia natalina.
Detalhe significativo, amigo leitor: João dizia que desfrutava uma moratória. Há muitos anos esteve para morrer de câncer. Uma médium espírita que o atendeu e curou, revelou que ele viveria mais vinte e cinco anos e morreria de uma cardiopatia.
Cumprida a moratória surgiu o problema cardíaco, mas ele ainda viveu vários anos, exemplo marcante de uma afirmativa de Chico Xavier: nada melhor para fortalecer o fio da Vida do que a prática da caridade. Certamente Deus tem grande interesse em prolongar a existência daqueles que cuidam de seus irmãos – são tão poucos…
Mas a morte não inibe os que exercitam a religiosidade autêntica e, das etéreas plagas, tenho certeza de que em breve nosso querido amigo estará atendendo as viúvas e os órfãos...
Até um dia, João!
Praza aos Céus retornemos à espiritualidade tão vitoriosos como você, que exercitou a verdadeira religiosidade!
Deus o abençoe!

2010 - Richard Simonetti