Artigos

Você está em: Artigos

>>

O Calcanhar de Aquiles

O Calcanhar de Aquiles

Segundo a mitologia grega, quando nasceu seu filho Aquiles, Tétis, esposa de Peleu, rei de Ftia, na Tessália, pretendeu que seria imortal.
Para tanto passou-lhe ambrósia no corpo e o mergulhou no rio Estige, cujas águas deveriam torná-lo invulnerável.
Mas houve um descuido.
Ao fazê-lo, segurou-o por um calcanhar, a única parte de seu corpo não que não recebeu o banho mágico.
Foi sua perdição.
Na Guerra de Tróia, Aquiles foi morto por Páris, que lhe desfechou uma flecha envenenada, atingindo-o no pé desprotegido.
Daí a expressão “calcanhar de Aquiles” – o ponto fraco, a parte vulnerável, num mecanismo, numa estrutura, numa pessoa…

• O calcanhar de Aquiles do Titanic, que provocou seu naufrágio, foi o casco frágil, fruto da ganância dos produtores, que forneceram chapas de aço inferior para a construção

• O calcanhar de Aquiles do Zepelim, dirigível de imensa estrutura que se elevava aos ares, era o hidrogênio altamente inflamável que lhe servia de sustentação, causando trágicos e monumentais incêndios.

• O calcanhar de Aquiles da educação no Brasil é a crônica falta de recursos.

• O calcanhar de Aquiles de Garrincha (1933-1983), o endiabrado bicampeão mundial de futebol, era o alcoolismo, que precipitou sua morte prematura.

• O calcanhar de Aquiles de Judas Iscariotes foi a ambição, que comprometeu irremediavelmente sua tarefa como discípulo de Jesus.


***

A reencarnação é como um mergulho nos turbilhões da matéria.
Revestimo-nos de uma “armadura carnal” que nos oferece relativa proteção diante das investidas de inimigos e malfeitores do Além.
Não fosse assim e estaríamos inteiramente à sua mercê, como desprevenidos viajores em terra de assaltantes.
Não obstante, temos o nosso “calcanhar de Aquiles”.
Para situá-lo, lembremos um balão.
Inflado indefinidamente terá um limite de expansão. Tenderá a romper-se onde for mais fina e frágil a borracha de que é feito.
Algo assim ocorre quando sofremos influências espirituais inferiores, gerando tensões e angústias que repercutem em nossos pontos vulneráveis, com conseqüências imediatas:

• O portador de um fígado frágil: crise hepática.

• O hipertenso: elevação da pressão arterial.

• O cardíaco: angina.

• O epiléptico: convulsão.

• O artrítico: dor aguda.

Considere-se, entretanto, que a verdadeira vulnerabilidade, nosso “calcanhar de Aquiles”, situa-se na sintonia mental desajustada, a partir dos pensamentos e sentimentos que cultivamos em determinadas circunstâncias.
É ela que abre as portas de nossa alma, facultando a pressão das sombras.
Os desajustes que surgem a partir daí, físicos e psíquicos, situam-se por mero efeito.


***

Ante os adversários da Terra, Aquiles esqueceu-se de proteger o calcanhar.
Ante os adversários do Além é preciso proteger a “cabeça”.
Não é difícil.
Basta disciplinar a mente, observando feliz recomendação do apóstolo Paulo (Filipenses, 4:8):

Quanto ao mais, irmãos,
tudo o que é verdadeiro,
tudo o que é honesto,
tudo o que é justo,
tudo o que é puro,
tudo o que é amável,
tudo o que granjeia bom nome,
tudo o que é virtuoso,
tudo o que é digno de louvor,
seja o objeto de vossos pensamentos.

Livro Luzes no Caminho

2010 - Richard Simonetti