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Os Magos

Os Magos

Segundo relata o Evangelista Mateus, quando Jesus nasceu em Belém, uns magos vieram do Oriente e passaram por Jerusalém a procura do menino que seria rei dos judeus.
Diziam-se guiados por uma estrela e vinham render-lhe homenagens.
Observe, leitor amigo:
O evangelista fala em uns magos. Não há nenhuma referência à sua suposta condição de reis, como são conhecidos.
A tradição os chamou Melchior, Gaspar e Baltazar, representando três raças – a semítica, a branca e negra.
Sugerem escritores medievais que eram em maior número, mais de dez.
Presume-se que teriam vindo da Arábia, da Babilônia e da Pérsia.


***

A Palestina era governada por Herodes o Grande.
Ele foi, realmente, muito grande, imenso – na maldade!
Sanguinário, não vacilava em eliminar qualquer pessoa que se lhe opusesse.
Conta-se que mandou matar seus filhos Alexandre, Aristóbulo e Antipater, bem como sua esposa Mariana, atendendo a caprichos ou temeroso de que lhe usurpassem o poder.
Diz a lenda que Herodes determinou, antes de morrer, sinistra providência:
Enquanto seu corpo fosse velado no anfiteatro, em Jericó, os homens mais famosos e estimados da cidade deveriam ser executados, a fim de que houvesse muita tristeza e muitas lágrimas em seus funerais.
O cruel governante ocupa lugar de destaque entre os piores facínoras da História.


***

Em contato com os magos, ao ouvir notícia do nascimento de uma criança que seria coroada rei dos judeus, Herodes sobressaltou-se.
Seu poder estava ameaçado!
Astuto, tratou-os com gentileza e lhes recomendou que partissem a procura do menino que, segundo a profecia, estaria em Belém. Na volta, que o informassem. Pretendia visitá-lo.
Sua intenção, obviamente, era eliminar a criança.
Os magos partiram.
Guiados estrela encontraram Jesus no estábulo e lhe renderam homenagens, oferecendo-lhe presentes – ouro, incenso e mirra.
Segundo a tradição, ouro simbolizava a realeza de Jesus; incenso, sua elevada espiritualidade; mirra, uma substância vegetal usada para embalsamar cadáveres, antecipava que seria sacrificado, imolando-se no coroamento de sua missão.
Avisados por uma revelação divina, em sonho, para que não voltassem a Herodes, os magos regressaram à sua terra por outro caminho.


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Por sua vez, José sonhou com um anjo que lhe recomendou fugir para o Egito, porquanto Herodes pretendia matar o menino.
A sagrada família partiu naquela mesma noite.
Não tendo notícias dos magos e pressentindo que fora enganado, Herodes ficou furioso e mandou que seus soldados matassem, em Belém e cercanias, todos os meninos, até a idade de dois anos.
Segundo estimativas, considerando-se a população da época, perto de 25 a 30 crianças foram barbaramente mortas para que o enviado celeste não sobrevivesse.
O evangelista encerra o episódio com uma transcrição:

Então se cumpriu o que fora dito por intermédio do profeta Jeremias:
“Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto, e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem”.

À salvo com Maria e Jesus no Egito, José lá permaneceu até a morte de Herodes (4 d. C.), quando outro anjo lhe recomendou, em sonho, que retornasse à Palestina.
Obediente à orientação angélica, o carpinteiro regressou a Nazaré, onde Jesus viveria até o início de seu apostolado.
Daí o chamarem “o nazareno”.


***

Temos aqui, em síntese, o relato evangélico que dá seqüência aos acontecimentos que marcaram o nascimento de Jesus.
A história oficial, que detalha os crimes de Herodes, não inclui a denominada matança dos inocentes. Sua autenticidade é duvidosa.
Questionável também que se tratasse do cumprimento de uma profecia de Jeremias. Isso implicaria em admitir que, com séculos de antecedência, Deus planejara aquele horror.
Herodes seria, então, mero agente da vontade celeste. Não poderia assumir responsabilidade porquanto estaria cumprindo uma determinação divina.
Se o leitor amigo se der ao trabalho de ler todo o capítulo trinta e um, do Livro de Jeremias, no Velho Testamento, de onde foi retirada a citação de Lucas, verificará que a linguagem é densa e nebulosa, repleta de simbolismos e fantasias.
Textos assim podem ser interpretados “à vontade do freguês”, envolvendo até mesmo acontecimentos pouco prováveis como aquele genocídio infantil.
A meu ver, portanto, estamos diante de uma interpolação.


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A visita dos magos evidencia que o nascimento de Jesus repercutiu além da Palestina, sob o ponto de vista espiritual.
Certamente, em todas as latitudes, pessoas dotadas de grande sensibilidade, que hoje chamaríamos médiuns, foram informadas a respeito ou pressentiram que estava chegando nosso governador espiritual, com uma gloriosa mensagem de renovação para a Humanidade.
Dentre as inúmeras denominações que receberam os médiuns, em todos os tempos, mago é uma delas.


***

Especula-se a respeito da estrela.
Seria um cometa? Ou a conjunção de dois ou três planetas?
Nenhuma hipótese astronômica ajusta-se perfeitamente à estrela que guiava os magos.
Pode ter sido um fenômeno mediúnico.
Médiuns videntes, só os magos enxergavam a estrela que apontava para o oriente.
Ou seria mero folclore.
Assim como foram avisados em sonho para evitar o retorno por Jerusalém, poderiam receber informações sobre a localização do menino sem o aparato da estrela.


***

Os fenômenos mais interessantes, envolvendo esta passagem evangélica, dizem respeito aos sonhos.
Os magos foram avisados para não voltarem pelo mesmo caminho.
José foi encaminhado ao Egito.
Três anos depois o anjo lhe recomendou que retornasse à Galiléia.
Os parapsicólogos debruçam-se sobre experiências dessa natureza, sem decifrá-las.
O Espiritismo nos dá a explicação, muito simples:
Enquanto o corpo dorme nosso Espírito transita pelo continente espiritual.
Passamos um terço de nossa existência no Além.
Amado Nervo diz com propriedade:

O sono é um dos hemisférios da vida; é a própria vida continuada em outro plano.

Os sonhos são pálidas lembranças desse trânsito diário.
À semelhança do que aconteceu com os magos e com José, recebemos avisos durante as horas de sono, nem sempre registrados com muita nitidez, envolvendo circunstâncias variadas, como nascimento e morte, enfermidade, sucessos ou insucessos, em atividades do dia-a-dia.
Todos teríamos algo a comentar, envolvendo nossas próprias experiências.
Um exemplo marcante diz respeito a uma senhora, mãe de dois adolescentes.
Certo dia os meninos brincavam num parque, nas proximidades do lar, quando um automóvel passou em alta velocidade e os atropelou, matando-os.
O casal sofreu muito.
A mulher estava pior, sempre deprimida e infeliz. A vida perdera o sentido para ela.
Certa manhã, acordou animada, com a certeza plena de que conversara com um dos filhos enquanto dormia. Ele lhe disse que não ficasse triste, porquanto ambos voltariam a nascer e seriam novamente seus filhos.
O marido lembrou ser impossível.
O médico já a alertara de que não teria mais filhos.
Em nova consulta, naquele mesmo dia, foi confirmada a esterilidade.
Ainda assim, ela permaneceu confiante na promessa do filho.
Para surpresa de familiares e amigos, algum tempo depois engravidou e deu à luz dois gêmeos. Dois meninos!
Na medida em que eles se desenvolviam, confirmavam, por tendências e lembranças, que eram, efetivamente, os filhos mortos no acidente.
O que mais os assustava era ir ao local onde ocorrera o acidente com os irmãos.
Ficavam apavorados.
Mil explicações podem ser ensaiadas pelos negadores contumazes.
Nenhuma mais lógica, simples, racional:
Os meninos retornaram.

***

Nosso trânsito pelo plano espiritual, durante o sono, não objetiva a mera recepção de avisos. Ali desenvolvemos inúmeras atividades.
Encontramos familiares, amigos, benfeitores...
Podemos trabalhar, estudar, exercitar o bem…
Mas podemos, também, sofrer a influência de Espíritos que nos perturbam, incutindo-nos idéias infelizes.
Você talvez pergunte, caro leitor:
Como aproveitar bem as horas noturnas?
Como fazer para nos livrarmos de más influências, pondo-nos em contato com os bons Espíritos?
Lembremos o velho ditado:

Diz-me com quem andas e te direi quem és.

Espiritualmente, podemos usar uma variante:

Diz-me como és e te direi quem te acompanha.

Isso vale para todos os momentos. Na vigília e, particularmente, durante as horas de sono, quando somos mais vulneráveis às influências espirituais.
Os magos e José eram homens de bem, virtuosos e disciplinados. Favoreciam o contato com benfeitores espirituais que os orientavam pelos melhores caminhos.
Herodes o Grande, era prepotente e maldoso. Daí as funestas ligações espirituais que lhe inspiravam as atrocidades que marcaram seu comportamento.
Fácil concluir, quanto à natureza das influências que recebemos durante o sono:
Depende de nós!

Livro Paz na Terra

2010 - Richard Simonetti