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Eutanásia

1 – A mídia vem abrindo grande espaço para o debate sobre a eutanásia. Nota-se que hoje é encarada com alguma simpatia por muita gente. Como explicar essa mudança?
É lamentável. Embora condenada por todas as religiões, a chamada “morte branda” ganha espaço justamente porque as pessoas não estão levando a sério os princípios religiosos. Pensa-se muito em termos de imediatismo, sem cogitações quanto às implicações espirituais. Países que não a legalizam não têm grandes preocupações no sentido de evitá-la. Uma dose mais forte de anestésico e o paciente morre por “falência múltipla dos órgãos”, um eufemismo comum para esse assassinato consentido em nome da piedade.

2 – Quais as conseqüências para o Espírito?
Enfrentando uma morte que não tem nada de branda, porque é um ato de violência, o Espírito situa-se geralmente em estado de torpor no plano espiritual, com maior dificuldade de adaptação. Por outro lado, estará interrompendo o cumprimento de seu carma, já que não é por acaso que enfrenta uma agonia prolongada.

3 – Há dois termos que entram hoje no debate sobre a eutanásia. O primeiro é a distanásia. Poderia falar algo a respeito?
Trata-se da morte lenta, com grande sofrimento. É usado hoje para caracterizar a utilização de aparelhos que suprem deficiências orgânicas. Discute-se se seria lícito desligá-los, quando se trata de um paciente terminal, alguém com câncer disseminado por exemplo, sem nenhuma possibilidade de recuperação.

4 – Não seria uma maneira de ajudar o paciente a cumprir o seu carma?
É comum vermos a família ao redor do leito do moribundo, orando, vibrando, torcendo para ele não morrer, a sustentar artificialmente o corpo, apenas prolongando a agonia. Algo semelhante fazem os aparelhos, retardando o embarque de alguém com a passagem marcada para o retorno.

5 – E quanto à ortotanásia?
Seria a morte sem sofrimento. Obviamente, se Deus colocou no mundo medicamentos para aliviar a dor, eles devem ser usados no paciente terminal, de maneira que possa morrer de forma mais tranqüila, sem tormentos para ele e para os familiares.

6 – E como fica o carma, o pagamento das dívidas?
Dizem os mentores espirituais que todos os sofrimentos decretados pela justiça divina são amenizados pela divina misericórdia, quando nos apresentamos para o resgate. Isso explica a presença de medicamentos para a dor no Mundo.

7 – Os efeitos colaterais de drogas potentes contra a dor podem apressar a morte. Não teríamos aqui uma eutanásia?
Sim. Por isso mesmo tanto a família quanto os médicos assistentes devem o cuidado extremo de usar medicamentos e doses que aliviem os padecimentos, sem efeitos colaterais passíveis de provocar a falência dos órgãos.

8 – Essas questões podem ser extremamente complicadas. Não seria razoável deixar nas mãos dos médicos?
De forma alguma! E se eles forem favoráveis à eutanásia? Evitando generalizações, já que cada caso tem suas particularidades, compete à família dialogar com os médicos, enfatizando que não se use excesso de medicação, capaz de provocar a morte do paciente ou de recursos tecnológicos que apenas prolonguem sua agonia. E, obviamente, entregar nas mãos de Deus, cultivando confiança e resignação, formando um ambiente que favoreça a assistência dos mentores espirituais, a definirem quando e como se dará o desenlace.

 

 

1 – Morrer dói?
A agonia impõe uma espécie de anestesia geral. O corpo entra em sono profundo, caracterizado pelo coma, e o Espírito também. Normalmente isso tudo se faz sem dor.

2 – Isso não tem algo a ver com as concepções teológicas tradicionais, segundo as quais o Espírito dorme, aguardando o juízo?
Até podemos assim conceber, mas considerando que o Espírito aguarda não um remoto juízo final, mas o juízo de sua própria consciência, ante as realidades de além-túmulo. É um estado passageiro que pode durar dias, meses, anos, conforme a condição do desencarnante.

3 – A morada dos Espíritos fica longe da Terra?
Começa exatamente onde estamos. É apenas uma projeção do plano físico, uma outra dimensão que interpenetra a nossa. Não os vemos porque o corpo, autêntica armadura de carne, embota nossas percepções espirituais.

4 – Mas eles nos vêem?
Como dizia o apóstolo Paulo, somos rodeados por uma nuvem de testemunhas, os Espíritos desencarnados que convivem conosco, nos acompanham e influenciam.

5 – Ficam eles indefinidamente entre nós? Não há a morada dos mortos?
O plano espiritual estende-se além das fronteiras da Terra. À medida que o Espírito desliga-se dos interesses humanos, integrando-se na vida espiritual, tende a seguir o seu caminho, numa das “muitas moradas”, a que se refere Jesus.

6 – Em outros mundos?
Pode ocorrer. Regra geral, porém, permanecemos todos vinculados à Terra, ocupando planos de espiritualidade compatíveis com nossa evolução.

7 – Mesmo na Terra, não ficam os Espíritos num mesmo plano?
Imaginemos o mundo espiritual como uma cebola, com vários planos. Cada Espírito, de acordo com seu desenvolvimento moral e o seu comprometimento com a vida física, ficará num deles. Quanto mais próximo à crosta, mais “humanizado”. Em camadas mais altas ficam as entidades sublimadas, já integradas na harmonia universal que eventualmente vêm à Terra, em grandiosas missões em favor do Bem e da Verdade.

8 – Os antigos situavam a Terra como o centro de céus concêntricos, para os quais iam as almas, de conformidade com seus méritos. Falava-se em “sétimo céu”, como o estágio mais alto. É mais ou menos isso?
Embora as fantasias de que se revestiam as concepções teológicas da antiguidade, os homens intuíam essa realidade, hoje demonstrada pela Doutrina Espírita.

Livro: Espiritismo, Tudo o que você precisa saber (inédito).

2010 - Richard Simonetti