Pingafogo

Sem Limites para Fantasia

01 – Recentemente você esteve num programa do televisão (Gugu Liberato), para falar sobre a morte do cantor Leandro. Achou válido?
Sim. Não obstante os inconvenientes, creio que não devemos recusar convites dessa natureza. Foi uma boa oportunidade para apresentar o ponto de vista espírita sobre um assunto que comoveu a opinião pública.

02 – Os fins justificam os meios?
Essa afirmação, atribuída a Maquiavel, somente seria cabível se eu tivesse entrado no clima do programa, o que não aconteceu em nenhum momento. Procurei manter uma postura espírita, sem descer às conjecturas mirabolantes, sempre desejadas pelos apresentadores, porque produzem picos de audiência..

03 – Não é desgastante para o escritor e expositor espírita participar de um programa de entretenimento, onde não há compromisso com a seriedade?
A serviço da Doutrina podemos entrar em qualquer lugar. O importante é como saímos, guardando fidelidade aos nossos princípios, sem comprometimentos morais ou espirituais.

04 – O público de um programa dessa natureza é receptivo às idéias espíritas?
Há receptividade para as idéias espíritas junto a qualquer público. As pessoas estão ávidas de informações sobre o mistério da morte e a problemática da vida, como só o Espiritismo pode oferecer.

05 – O apresentador deu-lhe pouco tempo para expor suas idéias e abriu espaço para uma senhora que fez revelações sobre o cantor e até recebeu mensagem dele. Como você viu essa intervenção?
Há quem lamente eu ter me apresentado ao lado daquela senhora, porquanto muitos telespectadores terão imaginado que estava endossando suas revelações. Ocorre que ao ser convidado não sabia de sua participação. Tomei conhecimento de quem era quando ela própria se apresentou, dizendo-se “espiritualista ecumênica”.

06 – Ela fez revelações supreendentes sobre o cantor, informando tratar-se de um espírito muito elevado, que veio de outro planeta e que na terra esteve ligado ao patriarca José; teria sido discípulo do Cristo e monge tibetano…
Foi lamentável. O pior é que as pessoas acreditam. Vi jovens deixando o programa a chorar, emocionadas com a “mensagem” de Leandro, que a “médium” recebeu ali mesmo, ao vivo, contrariando as mais elementares disciplinas para o intercâmbio com o além.

07 – Você não pensou em contestar o absurdo?
Seria indelicado, mesmo porque não é um programa de debates. Não obstante, quando comentei que o cantor Leandro certamente cumprira um programa cármico, ficou claro que se trata de um espírito “da terra”, com todas as limitações e deficiências que nos caracterizam.

08 – Atendendo a um convite do Gugu aquela senhora voltou ao programa…
Para transmitir mensagem do cantor João Paulo, a informar se é mesmo o pai de uma criança, cuja paternidade lhe é atribuída. A “médium” não só recebeu a confirmação do cantor, como “captou” a própria mãe da criança que, em suposto desdobramento, teria sido atraída para dar o seu depoimento sobre uma ligação milenar entre ela e o falecido. Não há limites para a fantasia, quando renunciamos à lógica e ao bom senso.

2010 - Richard Simonetti