Pingafogo

Morte

1 – Como o Espiritismo define a morte?
A palavra mais adequada para exprimir o pensamento espírita sobre a morte é retorno. Simplesmente isso. A morte é o regresso à pátria, à morada espiritual, de onde viemos e para onde iremos quando chegar a nossa hora.


2 – Se é tão simples assim, como um viajante que regressa ao lar, por que as pessoas encaram com constrangimento a perspectiva da própria morte ou de um familiar?
Há várias causas: o instinto de conservação; a condição moral (gente comprometida com a irresponsabilidade pressente que não será agradável o retorno); apego às situações; sobretudo, a ignorância. As pessoas temem o desconhecido.

3 – Com o espírita é diferente?
Deve ser. A Doutrina nos coloca em contato com o mundo espiritual, pelo processo mediúnico, envolvendo até mesmo familiares desencarnados. Então a morte perde aquela atmosfera pesada, densa, escura, como se fosse algo terrível. Prevalece a idéia de retorno ao lar.

4 – Se há uma pátria espiritual, como situar a experiência humana?
A Terra pode ser para nós um hospital, uma escola, uma prisão, um albergue – depende de como vivemos, do que pensamos, de como a encaramos. Em última instância, a jornada humana atende à nossa evolução. As limitações impostas pela carne, que inibe nossas percepções espirituais, bem como aflições e dores decorrentes delas, atuam como lixas grossas que desbastam nossas imperfeições mais grosseiras.

5 – A morte é igual para todos?
Biologicamente, sim. Haverá um momento em que, por causas variadas, o coração deixará de bater. Estaremos mortos. Mas espiritualmente depende de outros fatores. O principal é o grau de comprometimento do “morto” com a vida física. Pessoas muito envolvidas com os vícios e paixões, com ambições e interesses materiais, apegadas ás situações transitórias e à família, enfrentarão dificuldades.

6 – Qual a alternativa?
O cultivo da virtude, a prática do bem, o alargamento dos horizontes culturais, o estudo envolvendo os porquês da vida, o auto-aprimoramento, a chamada reforma íntima… São valores que, segundo Jesus, as traças não roem nem os ladrões roubam. Estarão conosco na grande jornada, representando um “capital” precioso a nos garantir “hotel cinco estrelas” na espiritualidade.

7 – O tipo de morte tem alguma influência em nossa situação futura?
Não importa tanto como saímos da Terra. O importante é como chegamos ao continente espiritual. A pessoa pode morrer num acidente de trânsito e logo se adaptar. Outra que faleça em avançada idade, após doença de longo curso, terá problemas se não cultivou os valores espirituais.

8 – As religiões tradicionais falam do céu e do inferno que nos esperam, de conformidade com nossas ações. E o Espiritismo?
Jesus ensinava que o Reino de Deus é uma realização íntima, não um local geográfico. O mesmo acontece com o inferno. Não obstante, por uma questão de afinidade, os Espíritos tendem a se reunir em agrupamentos celestiais ou infernais, de conformidade com a vida que levaram na Terra. Ali estagiarão até que sejam convocados para novo mergulho na carne, em experiência que se renovarão indefinidamente. Assim será até que atinjam condições para viver em outros planos do infinito.


 

2010 - Richard Simonetti