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Hernani Guimarães Andrade

1 – Como você definiria Hernani Guimarães Andrade, que desencarnou em Bauru, no dia 25 de abril de 2003?
Foi o raro exemplar do homem de ciência com consciência da paternidade divina. Dedicou sua existência á demonstração de que a vida não é mera expressão de combinações moleculares formadas ao acaso. Há um Senhor Supremo, a consciência cósmica do Universo, como dizia, que o criou e instituiu e as leis que nos regem.


2 – Qual a sua importância em relação à ciência espírita?
Por uma questão de auto-suficiência, creio, a comunidade espírita não se preocupa muito com o aspecto científico. Consideramos suficientemente provadas as teses espíritas, particularmente as relacionadas com a reencarnação e o intercâmbio com o além, o que é um erro. Imperioso acompanhar o avanço da Ciência, reciclando e atualizando conhecimentos. Nesse campo Hernani foi o nosso grande representante.

3 – O que você destacaria em seu trabalho?
Em primeiro lugar, a reencarnação. Hernani catalogou 75 casos de reminiscência espontânea, pessoas que se lembram de vidas passadas. Algumas dessas pesquisas deram origem ao livro A Reencarnação no Brasil, um alentado tratado sobre o assunto, publicado pelo nosso Clarim. Há, ainda, Reencarnou por Amor, da Editora FÉ, de São Paulo e Você e a Reencarnação, da CEAC Editora, de Bauru. O assunto é abordado menos especificamente em outras obras de sua autoria.

4 – E sobre o poltergeist?
Realizou notáveis pesquisas. Há inclusive um livro com esse título, onde ele relata seu contato com casas mal-assombradas, perturbadas por Espíritos galhofeiros ou perseguidores. Catalogou inúmeros fenômenos de efeitos físicos, envolvendo o poltergeist, expressão alemã que significa espírito barulhento ou brincalhão.

5 – E quanto ao Drop in?
E é um assunto muito interessante. Normalmente, os que negam o fenômeno da comunicação dos Espíritos, sempre o atribuem a faculdades paranormais do médium, envolvendo a capacidade de captar algo da personalidade do suposto morto, fantasiando uma manifestação. Ele sempre retiraria, inconscientemente, informações da cabeça de familiares, de conhecidos ou, ainda,de objetos que tiveram alguma relação com ele – um livro, um documento, uma veste… Drop in seria a manifestação de um espírito totalmente desconhecido dos presentes, sem nenhum elemento que favorecesse fantasias anímicas.

6 – Hernani tem pesquisas nesse sentido?
Sim, e há uma bastante sugestiva, publicada numa monografia: o caso Ruytemberg Rocha. Envolve a manifestação de um militar desencarnado, num grupo mediúnico onde era inteiramente desconhecido, ao qual forneceu os elementos necessários à sua identificação. Como todas as pesquisas levadas a efeito pelo Dr. Hernani, o caso está muito bem documentado com testemunho das pessoas envolvidas. É um atestado eloqüente da imortalidade.

7 – Hernani participava das atividades do Centro Espírita Amor e Caridade, em Bauru?
Sim, praticamente desde sua mudança para nossa cidade, em 1992. Instituiu um curso de ciência espírita em 3 módulos, que era muito procurado, do qual foi expositor até 2001. Afastou-se por motivo de saúde. Não obstante, assessorava discípulos seus que hoje ministram as aulas, seguindo sua orientação.

8 – O que você mais destacaria no trabalho do dr. Hernani?
Sua trajetória como cientista e as pesquisas que efetuou não caberiam neste curto espaço. Não obstante, como todos aqueles que tiveram a felicidade de conviver com ele, destaco a sua figura humana, um homem extraordinariamente culto, de um conhecimento científico invejável que, como todos os Espíritos iluminados, conservou a simplicidade e o bom humor, sempre tolerante diante das críticas e paciente nas reiteradas explicações que oferecia a nós outros, insipientes aprendizes.


 

2010 - Richard Simonetti