Pingafogo

Desemprego

01 – Vivemos tempos difíceis no Brasil, envolvendo, principalmente, o desemprego. Na grande São Paulo atinge mais de vinte por cento da população ativa. Podemos dizer que se trata de um problema cármico? Algo que tem que acontecer?
Desemprego não é fatalidade. Trata-se de uma contingência humana, gerada pelo egoísmo, que provoca lamentáveis desníveis, envolvendo, nos extremos, gente que tem tudo e gente que não tem nada.

02 – Se é uma contingência gerada principalmente pelo egoísmo, o que poderá ser feito em relação ao assunto?
O altruísmo, antípoda do egoísmo, é o caminho. Na medida em que nos habituarmos a pensar nos bem-star alheio, superando a tendência de cuidarmos apenas dos interesses pessoais e exercitarmos a imaginação, criaremos condições para que todos tenham com que prover a própria subsistência.

03 – Poderia exemplificar?
Uma empresa pretendeu demitir metade de seu contingente de operários, perto de cinco mil, para diminuir as despesas e ampliar os lucros. Os operários, reunidos em assembléia, decidiram propor uma redução da jornada de trabalho. Todos ganhariam menos e ninguém seria demitido. Proposta aceita, emprego garantido, na medida em que o altruísmo prevaleceu.

04 – Há multidões que vêem escoarem-se meses, sem alcançar o sonhado emprego. Não seria um carma coletivo?
Em países onde a economia vai bem, o desemprego é mínimo. Serão seus habitantes menos devedores que nós? Melhores que nós? Quem convive com essas populações sabe que a resposta é negativa. São muito individualistas.

05 – Isso não invalida a tese de que o desemprego é gerado pelo egoísmo?
Apenas a confirma, porquanto é o egoísmo individual que, projetado na consciência dessas nações, as leva a recusar ajuda efetiva aos países pobres, sustentando, não raro, sua riqueza a partir de uma exploração dos mesmos.

06 – O que você aconselharia ao desempregado?
Em primeiro lugar, não perder a fé. Orar muito e tomar a iniciativa. Não esperar que surjam oportunidades. Correr atrás delas, cultivando a imaginação. A confiança em Deus e em nós mesmos opera milagres em nosso benefício, favorecendo o atendimento de nossas necessidades.

07 – Você conhece algum caso ilustrativo.
Vários. Um deles é bem sugestivo. Quando menino, conheci uma vendedora de pamonhas. Produto muito bom, bem feito, delicioso. Vendia muito! Soube, mais tarde, que se tratava de uma mulher humilde, viúva, com quatro filhos pequenos. Morara em uma favela. Confiante em si e em Deus, desenvolveu a habilidade para preparar pamonhas e com elas construiu uma casa em bairro de classe média, educou os filhos, construiu uma vida melhor.

08 – O que dizer do projeto “fome zero”, desenvolvido pelo atual governo?
Todas as iniciativas que visam atender populações pobres são louváveis. Não é novidade. Há decênios o movimento espírita vem realizando esse programa, beneficiando multidões de carentes, em todo o país. Ao governo compete a missão mais importante, que é a de fomentar o desenvolvimento, fazendo crescer o nível de emprego em nosso país. Essa seria a iniciativa mais produtiva.


 

2010 - Richard Simonetti