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O Futuro do Trabalho

1 – A experiência demonstra que o desenvolvimento tecnológico elimina a mão-de-obra humana. Chegará o tempo em que o trabalho será suprimido?
Isso jamais acontecerá, na Terra ou em qualquer outro plano do infinito. O trabalho é uma lei natural, como está na questão 674, de O Livro dos Espíritos, cuja observância é indispensável à nossa evolução.

2 – Não é o que demonstra a realidade. Uma colhedeira de cana-de-açúcar, por exemplo, faz o trabalho de 100 homens, gerando o desemprego.
Quando falamos em trabalho, sempre imaginamos a atividade profissional remunerada, em favor da subsistência. A civilização do futuro terá resolvido esse problema. Todos terão o necessário para viver. Exercitaremos outras formas de trabalho, particularmente em características de eternidade e universalidade.

3 – Como definiríamos o trabalho em características de eternidade?
Seria aquele voltado para as aquisições da alma, envolvendo a cultura, o conhecimento, a virtude, a moralidade, a espiritualidade, valores que, segundo Jesus, as traças não roem nem os ladrões roubam. São de caráter perene. Semelhantes conquistas exigem iniciativa e permanente empenho.

4 – E o trabalho em características de universalidade?
Seria o esforço em favor do próximo, considerando que somos na Terra uma grande família, cuja felicidade e bem-estar dependem de nos ajudarmos uns aos outros, como ensinava Jesus. Quando todos estivermos unidos em torno desse propósito, eliminaremos os males que afligem a Humanidade.

5 – Isso não é um tanto utópico, considerando a triste realidade humana, em que considerável parcela da população vive abaixo da linha da pobreza, debatendo-se com a impossibilidade de atender às mais elementares necessidades de subsistência?
Trata-se de uma realização para os séculos do porvir, com governos realmente empenhados no bem-estar social e populações conscientes de suas responsabilidades perante o próximo. Não faltará para ninguém o necessário à vida.

6 – Isso não tem acontecido. Na medida em um país cresce materialmente, reduzindo a jornada de trabalho, a tendência da população é voltar-se para o lazer, em bases de “sombra e água fresca”.
Compete às religiões em geral, e ao Espiritismo em particular, em face das noções que nos oferece sobre os objetivos da vida, conscientizar as pessoas de que há várias formas de lazer. As mais nobres envolvem o empenho de servir e de nos aprimorarmos. Haverá distração que se compare, em frutos de bem estar e alegria, à constatação de que ajudamos alguém em necessidade ou sentir que superamos um vício, ou que alcançamos patamares mais altos de conhecimento sobre a dinâmica da Vida?

7 – Essa sociedade igualitária, onde não falte o necessário à vida, não lembra o regime comunista, de tão triste lembrança?
O comunismo jamais foi uma sociedade igualitária. Instalou-se em todos os países como a pior das ditaduras, aquela que é orientada pelo totalitarismo, a imposição de um sistema político pela força. Uma sociedade legitimamente igualitária pede adesão plena da população aos princípios éticos do Evangelho, sem outra imposição que a da própria consciência.

8 – Uma população pacífica, ordeira, voltada para o trabalho em características de eternidade e universalidade, não estaria à mercê daqueles que exercitam a força e a esperteza, atendendo às suas ambições?
Os que não se enquadrarem aos padrões éticos e morais dessa gloriosa civilização que se instalará na Terra, serão degredados em planetas inferiores, como nos advertem os mentores espirituais. O joio será separado do trigo na época da colheita, ensina Jesus.

2010 - Richard Simonetti