Pingafogo

Trabalho Voluntário

1 – A ONU consagrou 2001 como o ano do trabalho voluntário. O que dizer dessa iniciativa?
É ótima, excelente! Parece-me algo de inspiração dos poderes que nos regem. O reino de deus será instituído na terra quando vencermos o egoísmo. E não há recurso mais eficiente que o empenho por fazer algo em benefício do semelhante.

2 – Seria oportuno, então, a participação dos espíritas?
Já estamos participando, há muito tempo. Milhares de entidades espíritas de assistência e promoção humana desenvolvem amplos serviços, com a colaboração de incontáveis equipes de voluntários.

3 – Por que o apelo do espiritismo é tão forte, nesse particular?
Kardec enfatiza que “fora da caridade não há salvação”. Devemos entender a palavra “salvação”, não no sentido escatológico, até porque ninguém está perdido. Por mais longe nos levem nossos desatinos, sempre estaremos nos domínios de deus, regidos por suas leis soberanas. Devemos observar o sentido social. Não haverá solução para os problemas humanos, enquanto a humanidade não vencer o egoísmo. Salva-nos dele a caridade, na medida em que, para exercitá-la, devemos esquecer de nós mesmos.

4 – Resolveríamos todos os problemas humanos com o trabalho voluntário, no exercício da caridade?
Em primeiro lugar resolveríamos nosso problema pessoal de adequação às leis divinas. Quanto à sociedade, na medida em que haja um engajamento amplo de todos os seus segmentos, grandes progressos serão feitos.

5 – Um exemplo.
Em Bauru, como em todas as cidades, temos um sistema de saúde precário. A saúde foi municipalizada e a prefeitura não tem recursos suficientes. Se todos os médicos de nossa cidade, e são centenas, oferecessem um trabalho voluntário de duas ou três horas por semana, para atender pacientes sem recursos, melhoraríamos muito esse serviço.

6 – Mas será que eles disporiam de tempo para participar?
Seria mais oportuno perguntar se estariam dispostos a participar, porquanto, como ensina velho adágio “tempo é uma questão de preferência”. Sempre encontramos tempo para fazer o que realmente desejamos.

7 – Qual a contribuição que a comunidade espírita pode fazer em favor do ano internacional do trabalho voluntário?
Como comentei, já estamos envolvidos. Não obstante, deveríamos, nos periódicos, nos programas radiofônicos, nas casas espíritas enfatizar o que está acontecendo, conscientizando espíritas e simpatizantes de que é preciso fazer alguma coisa, engajando-nos.

8 – Uma adesão maciça da sociedade não acabaria por criar embaraços ao próprio desenvolvimento dos serviços? Em determinadas atividades haveria mais voluntários que assistidos…
Seria ótimo ter mais gente para ajudar do que para ser ajudada! Talvez isso aconteça um dia, em futuro distante… estamos longe desse maravilhoso “problema”.

 

 

2010 - Richard Simonetti