Pingafogo

Seitas Fanáticas

1 – Como explicar a proliferação de seitas religiosas como a Aum Shinri Kyo, que levou terror ao metrô de Tóquio com um gás mortal?
Um velho ditado diz: “Há doidos para tudo”. Qualquer “iluminado” que deixe a barba crescer e tenha comportamento exótico, proclamando-se enviado divino e se ponha a dizer sandices, sempre encontrará gente disposta a segui-lo.

2 – A que podemos atribuir esse fenômeno?
Á crassa ignorância a respeito do que é uma religião e, sobretudo, das realidades espirituais. Por outro lado, há a procura mal orientada de sucesso e felicidade, que leva as pessoas a optarem por vícios e ambições ou, se tendentes ao misticismo, a seguir o primeiro guru que lhes acene com a realização de seus desejos.

3 – Os líderes dessas seitas são mistificadores que exploram a ingenuidade alheia ou são visionários que acreditam nas loucuras que pregam?
Há os dois tipos. Os primeiros são menos perigosos, porquanto procuram sustentar um mínimo de credibilidade, evitando posturas como a de shoko asahara, o guru da Aum Shinri Kyo. Sabem que isso os conduziria ao desastre e à perda de seus “clientes”.

4 – As grandes religiões foram fundadas por missionários da espiritualidade que vieram ao mundo para gloriosas tarefas espirituais. Poderíamos situar os fundadores dessas seitas exóticas como missionários transviados?
São mistificadores que se intitulam missionários, atendendo não aos ideais de fraternidade que marcam os legítimos representantes da espiritualidade maior, mas às suas próprias ambições e à volúpia do poder.

5 – Podemos ver nessas seitas a influência de espíritos que pretendem semear a confusão no mundo?
Sem dúvida. Seus gurus são instrumentos dóceis nas mãos dos gênios das sombras que lhes exploram as fraquezas.

6 – Os adeptos que observam cegamente suas orientações assumem responsabilidade quando praticam atos criminosos como aquele do metrô de Tóquio?
A ignorância pode favorecer o crime, mas não isenta o criminoso da responsabilidade por seus atos. E por mais ignorante seja o indivíduo deve saber que nenhuma religião verdadeira ensina a violência e o assassinato como recursos para edificar uma sociedade melhor.

7 – Não raro, os profitentes dessas seitas, tomados de paranóia coletiva, sentem-se ameaçados, dispondo-se ao suicídio coletivo, sob inspiração de seus líderes, que lhes prometem a felicidade eterna. Qual a posição deles no plano espiritual?
O Espiritismo é muito claro a esse respeito. Ainda que devamos admitir circunstâncias atenuantes, penosos sofrimentos os aguardam no além. Aprenderão à custa das próprias lágrimas que o objetivo da religião é exaltar a vida, jamais estimular a violência ou preconizar a morte.

8 – Há perigo de que algo semelhante ocorra no movimento espírita?
Infeizmente já acontece. Há muitos dirigentes espíritas envolvidos com idéias esdrúxulas, fazendo um espiritismo à moda da casa. A solução para o problema está no estudo das obras básicas e complementares da Doutrina. Centro espírita que não cultiva o estudo é porta aberta para os malfeitores do além, a inspirar lamentáveis desvios que estão longe, é verdade, das loucuras da seita japonesa e similares, mas igualmente distanciados do discernimento e do bom senso exemplificados por Kardec.


 

2010 - Richard Simonetti