Pingafogo

Juízo Final

01 – Há correntes religiosas que pregam o fim do mundo para breve. O mundo vai acabar?
Certamente. Quando a estrela que nos ilumina, o Sol, esgotar-se, transformando-se numa gigante vermelha, engolirá todos os planetas de nosso sistema. Mas não precisamos nos preocupar. Isso deverá ocorrer daqui a bilhões de anos. Até lá teremos encontrado outro lugar para morar.

02 – Mas haverá um juízo final na virada do milênio, conforme apregoam as profecias?
Há um juízo permanente, individual, a que todos estamos submetidos: O julgamento de nossa própria consciência, situando-nos, na terra ou no além, felizes ou infelizes, tensos ou tranqüilos, saudáveis ou enfermos, de conformidade com o que pensamos e fazemos.

03 – E as profecias que falam de grandes tormentas para a humanidade neste final de milênio? O evangelista João chega a falar, no Apocalipse, em tormentos de fogo, parecendo sugerir uma hecatombe nuclear…Talvez em suas visões, João tenha contemplado o que seria uma explosão atômica, tomando-a à conta de um flagelo universal.

04 - De qualquer forma, no próprio meio espírita fala-se de grandes e decisivas transformações que ocorrerão até o final do milênio, com um planeta mil vezes maior que a Terra que se aproxima. Sua força gravitacional provocará grandes devastações. Seu magnetismo inferior atrairá os espíritos comprometidos com o mal…
Estamos diante de uma fantasia. essas idéias são contestadas pela astronomia. Não há, observadas as leis que regem o movimento dos mundos, a mínima possibilidade da aproximação desse chamado “astro chupão”.

05 – Mas há uma convergência de idéias, envolvendo médiuns, sensitivos, místicos, e as próprias religiões, a respeito do assunto. Há até insistente afirmação de que “a mil chegou; de dois mil não passará”.
Essa afirmativa, que muita gente equivocadamente imagina estar nos textos bíblicos, busca justificar, talvez, o fato de que na virada do primeiro milênio houve a mesma expectativa de fim do mundo e juízo universal, e nada aconteceu. Futuramente, cultores da sinistrose proclamarão solenemente que “de três mil não passará”.

06 – Mudaremos de milênio em brancas nuvens, sem acontecimentos significativos,?
Não estamos passando em brancas nuvens. Basta observar e verificaremos que profundas transformações estão ocorrendo na vida social, a partir de uma ampliação dos horizontes culturais da humanidade, hoje empenhada em desenvolver a inteligência para atender aos interesses relacionados com os bens materiais e com a subsistência, mas que, paulatinamente, está aprendendo a usá-la em favor de uma definição dos objetivos da vida. Isso favorece o desenvolvimento do senso moral. É o que aprendemos em o Evangelho segundo o Espiritismo, quando Kardec fala da riqueza como instrumento de progresso.


07 – Não obstante, o mal continua a imperar no mundo. O homem parece ter uma vocação insuperável para o vício, o crime, as paixões…
O homem é muito frágil e ainda não conseguiu definir com exatidão as finalidades de sua presença na Terra. É um cego a tropeçar na sua própria ignorância. Mas seria injusto imaginar que o mal domina o nosso mundo. Existe uma minoria barulhenta, formada por espíritos recalcitrantes que se envolvem com ele e se destacam, assim como músicos desafinados numa orquestra. Por um defeito de formação, a mídia destaca o comportamento criminoso, ignorando os exemplos de trabalho, dedicação, renúncia, desprendimento, o esforço de multidões em favor de uma existência decente, digna e responsável.

08 – Não seria o juízo final aquele momento em que essa minoria será afastada da terra e degredada em planetas inferiores?
É uma questão complicada. Os que compõem a minoria barulhenta também são filhos de Deus. filhos doentes segundo Jesus, que precisam de tratamento. Mas chegará o momento, sem dúvida, talvez nos primeiros séculos do próximo milênio, em que os recalcitrantes no mal não tornarão a encarnar na terra, conduzidos a planetas inferiores. Isto quando a maioria habilitar-se à vivência evangélica, favorecendo a promoção de nosso planeta na sociedade dos mundos. Por isso, em última instância, será o próprio comportamento das coletividades terrestres que definirá o tempo em que ocorrerá o juízo.


 

2010 - Richard Simonetti