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A Jovem que Matou os Pais

1 – O assassinato dos pais por uma jovem de 19 anos, em São Paulo, chocou a opinião pública, pelos requintes de frieza e perversidade. Como explicar semelhante atrocidade?
A Terra é um planeta de provas e expiações, habitado por Espíritos comprometidos com o egoísmo. Quando há uma exacerbação dos interesses pessoais, tudo pode acontecer.

2 – Podemos raciocinar assim em relação aos seus comparsas. Mas ela, filha que sempre teve tudo, a melhor educação, as melhores escolas, conforto, cuidado dos pais… Como jogar tudo isso pela janela e voltar-se contra as pessoas mais importantes de sua vida, que tudo lhe deram?
Há no caso o perturbador componente da paixão. Quando o indivíduo se deixa dominar por impulsos passionais, qualquer ação em favor do objeto de seus desejos lhe parece natural. A mesma motivação induz fundamentalistas fanáticos a se transformarem em bombas humanas, matando inocentes, em nome de Deus. A passionalidade anula a razão e faz aflorar os instintos mais animalescos da personalidade humana.

3 – Mas há pessoas que, embora envolvidas por impulsos passionais, jamais cometeriam tal atrocidade!
Jesus recomendava que não julguemos, justamente porque todos temos fraquezas e mazelas que podem refletir-se em nosso comportamento, em determinado momento, induzindo-nos a ações que consideramos inimagináveis. Poderiam, em sã consciência, os estudantes que mataram o garçom, em Porto Seguro, conceber que seriam capazes de praticar aquela atrocidade?

4 – Não obstante, forçoso reconhecer que o fato de a opinião pública ficar chocada com uma atuação assim, significa que a maioria agiria diferente…
Digamos que as pessoas apenas imaginam que não o fariam. Se consultados anteriormente, os participantes do linchamento de um trombadinha (algo que tem acontecido com freqüência) diriam ser incapazes de tal violência. Falta-nos o desenvolvimento adequado do senso moral, não simplesmente no sentido de ter uma idéia do que é certo ou errado, mas, particularmente a consciência de que jamais devemos cogitar do mal, ainda que para revidar algo que nos contrarie ou prejudique.


5 – É assustador imaginar que de um momento para outro possamos fazer algo de que nos arrependeremos…
É uma triste realidade. As prisões estão repletas de pessoas que perderam o controle e se comprometeram num ato de violência, numa desonestidade, numa traição, numa vingança. Isso sem falar nos que burlaram a justiça dos homens, mas sofrem as sanções da própria consciência, em longos períodos de desajuste e perturbação, que se estendem da Terra para o Além, da vida atual para a futuras encarnações. O mal que devemos temer é o resultante de nossas reações indevidas ante as contingências existenciais, candidatando-nos a largos períodos de sofrimento, como certamente ocorrerá com a jovem e seus comparsas.

6 – Como podemos situar a posição dos pais da jovem. Cumpriram alguma sina? Pagaram um débito cármico?
Tal raciocínio é ilógico. Admiti-lo seria situar a jovem como instrumento de Deus. A pena a que estamos sujeitos, em face de nossas mazelas, é viver num planeta como a Terra, onde essas coisas podem acontecer, por mau uso do livre-arbítrio, nosso ou dos outros. Não obstante, podemos admitir algum conflito de vidas anteriores, envolvendo o trio, com ressentimentos inconscientes da filha, aflorados ante a paixão contrariada. Isso, evidentemente, em nada atenua seu crime, pelo qual responderá, inelutavelmente.

7 – Estariam a jovem e seus comparsas sob influências obsessoras, que os induziram ao crime?
Em princípio, os grande obsessores de nossa personalidade são nossas próprias mazelas, que nos levam a cogitar de iniciativas criminosas. A partir daí somos induzidos por influências das sombras, que nada fazem senão explorar nossas fraquezas.

8 – Como fazer para eliminar ou minimizar a possibilidade de nos envolvermos em situações semelhantes, que fazem aflorar o bruto que ainda há em nós?
Jesus ensinava que devemos orar e vigiar para não cairmos em tentação. Essa é a fórmula perfeita. Vigiar nossos impulsos, nossa maneira de ser, nossas reações… E orar muito, cultivando a comunhão com as esferas superiores, buscando a orientação necessária para uma existência honesta, digna e tranqüila. Orar, sobretudo, com todas as forças de nossa alma, implorando a proteção divina, quando sentirmos que estamos prestes a perder o controle em face do mal que porventura nos façam.


 

2010 - Richard Simonetti