Pingafogo

O Maníaco do Parque

01- A população acompanha, estarrecida, as revelações envolvendo os crimes cometidos por Francisco de Assis Pereira, o denominado Maníaco do Parque. Tradicionalmente fala-se em influências demoníacas. O diabo estaria presente nessas atrocidades?
O Espiritismo ensina que o diabo, como inteligência maligna devotada ao mal eterno, não existe. Há espíritos imaturos, filhos de Deus como todos nós, que, embora rebeldes e agressivos, estão submetidos a mecanismos de causa e efeito que mais cedo ou mais tarde os reconduzirão aos roteiros do bem.

02 – O diabo de hoje será o santo de amanhã?
Sim, num futuro distante, mas inexorável. Como ensinava Jesus, o pai não quer perder nenhum de seus filhos, e não perde mesmo, ou não seria Deus.

03 – Onde e como se opera essa transformação?
Séculos de acerbos sofrimentos, de penosas experiências reencarnatórias, trabalharão a consciência dos filhos de Deus transviados, fazendo germinar neles as sementes divinas do amor e da justiça. Na cruz, Jesus pediu a Deus perdoasse seus algozes. Não sabiam o que estavam fazendo, os sofrimentos a que se candidatavam. Assim acontece com todos os que se comprazem no mal. Se soubessem, teriam horror da própria maldade.

04 – Poderíamos dizer que Francisco de Assis Pereira agia sob influência dessas entidades de inteligência pervertida?
Sem dúvida. Sempre que nos transviamos do bem há espíritos dispostos a nos ajudar. Podem, atendendo a propósitos malévolos, inspirar iniciativas dessa natureza,

05 – Discute-se quanto à condição mental de Francisco, partindo-se do princípio de que tais aberrações exprimem uma mente enfermiça. Essa condição, associada à influência espiritual, não o torna inimputável, livre de assumir responsabilidade por suas ações?
todo criminoso é alguém que adoeceu moralmente, necessitado de tratamento. mas isso não o exime de responsabilidade, já que os atos de violência expressam tendências cultivadas. o indivíduo que superou a agressividade jamais agirá com violência, mesmo sob influência espiritual ou enfrentando limitações mentais.

06 – Então ninguém pode justificar um ato criminoso, um vício ou uma falta, atribuindo-os às influências espirituais?
Exatamente. Os espíritos não criam o mal. Apenas exploram o mal que há em nós.

07 – Francisco alega que não queria matar, mas que havia uma força maligna que o impulsionava. Chegava a torcer para que as jovens que seduzia com promessas de emprego não comparecessem ao encontro fatídico. Isso não deixa bem caracterizada uma autêntica possessão espiritual, que o induzia a fazer o que não desejava?
Ao definir a natureza da influência que sofria, ele demonstra que tinha plena consciência do que fazia. Atuava, portanto, sob inspiração, não por compulsão. Poderá dividir sua responsabilidade com os espíritos que o influenciavam, jamais atribuir exclusivamente a eles seus desatinos.

08 – E as vítimas? No processo de reajuste e ressarcimento dos débitos de Francisco elas o reencontrarão em futuras reencarnações, talvez ligando-se a ele por laços de consangüinidade?
Não há vínculos que o justifiquem. Seria uma injustiça submetê-las a essa provação. Foram vítimas. Amparadas por mentores espirituais, seguirão seus caminhos, ligadas aos que lhes compartilham as experiências evolutivas.


 

2010 - Richard Simonetti