Pingafogo

Sequestro

1 – Segundo o noticiário, Fernando Dutra Pinto, que seqüestrou a filha de Silvio Santos e depois invadiu sua casa e o transformou em refém, é filho de uma família religiosa, freqüentou o culto de uma igreja evangélica, teve uma formação cristã. Como explicar seus desvios?
Temos em seu comportamento uma revelação, não um desvio. Revelou trazer tendências ao crime arraigadas em seu espírito, fruto de experiências anteriores. A partir do momento em que se afastou da orientação dos pais e da religião, elas prevaleceram.

2 – Como fica a idéia de que o ambiente é decisivo na formação do caráter das pessoas?
O ambiente influencia, não determina. Tanto o Espírito muito evoluído pode superar influências negativas, quanto o Espírito muito comprometido com o erro pode não aproveitar integralmente as influências positivas.


3 – As tensões pelas quais passaram Silvio Santos e sua família representam uma espécie de carma? Estava escrito?
O mal não está escrito. Não é um projeto de Deus. É fruto da iniciativa humana. Deus nos outorga o livre-arbítrio que, mal usado, pode gerar situações dessa natureza.

4 – Se somos as vítimas, não se trata de uma provação?
Provação é viver na Terra, onde estamos sujeitos a essas contingências, porquanto aqui vivem multidões presas aos impulsos da animalidade primitiva, agindo como selvagens em meio civilizado, senso moral inexistente ou incipiente.


5 – Considerada a lei de Causa e Efeito, podemos dizer que o seqüestrador de hoje poderá ser amanhã o seqüestrado?
Esse “olho por olho, dente por dente”, a pena de talião, a que se refere Moisés, tenderia a perpetuar o mal, além de justificar o criminoso, que estaria agindo como instrumento de Deus. O seqüestrador não será necessariamente o seqüestrado, mas passará por problemas e desajustes que reapresentarão o ressarcimento de seus débitos e o ensejo de reajuste.

6 – Um seqüestrado que morre de forma violenta habilita-se a uma boa situação no mundo espiritual?
A nossa situação no mundo espiritual não depende de como morremos, mas de como estamos vivendo. Se nos apegamos muito a vida material, se cultivamos vícios e ambições, se nos comprometemos em maldades, estaremos em má situação, ainda que desencarnemos vitimados por doença de longo curso. Já um assassinado poderá estar muito bem na vida espiritual, se cultivou vida digna e honrada.

7 – Como fazer para não nos envolvermos em situações dramáticas como a enfrentada por Silvio Santos?
Jesus recomenda que sejamos mansos como as pombas, e prudentes como as serpentes. Talvez lhe tenha faltado essa prudência. Um empresário rico, morando nessa selva sombria em que se converteu São Paulo, em virtude da violência que impera em suas ruas, jamais poderia ter se descuidado de sua segurança pessoal e de sua família, principalmente no segundo episódio. Considerou, talvez, o ditado popular – um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Estava enganado.

8 – E como fica a questão da proteção divina? Não funcionou?
Um discípulo ouviu de seu mestre indiano que Deus está sempre presente, em tudo e em todos, e que nada devemos temer. Andando por uma trilha, na floresta, deparou-se com um elefante desembestado, furioso, que vinha em sua direção. Em cima um homem a gritar, a plenos pulmões: “Sai da frente, sai da frente!” O discípulo considerou que estando em tudo e em todos Deus estaria também naquele elefante. Seguiu tranqüilo. Em breves segundos o elefante o atingiu, jogando-o longe. Dolorido e acabrunhado, reclamou com o mestre de sua desdita por ter confiado que Deus está sempre presente. O mestre sorriu: “Sim, meu filho, Deus está em tudo e em todos. Estava também no homem, que de cima do elefante furioso, gritava, a plenos pulmões para você sair da frente” A história é bem ilustrativa. É necessário estarmos atentos aos avisos de Deus, se quisermos transitar com segurança pelo mundo.


 

2010 - Richard Simonetti