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Clubes do Livro Espírita

1 –    Os clubes do livro espírita constituem hoje o mais eficiente recurso de divulgação do livro espírita. Como “trabalhador da primeira hora”, nessa produtiva atividade, poderia nos dizer algo sobre o início desse movimento?
                   O primeiro clube do qual tomei conhecimento surgiu no início da década de setenta, no século passado, em Marília, por iniciativa de nosso confrade José Reis. Em 1972, Leopoldo Zanardi, professor bauruense que trabalhava em Tupã, perto de Marília, instalou um CLE naquela cidade. Motivado por ele, trabalhei pela instalação do CLE em Bauru, o que ocorreu em janeiro de 1973, como departamento da USE-Bauru. O primeiro livro lançado foi Chico Xavier Pede Licença.
 
2 –    Eram quantos associados?
                   Perto de duzentos. Dois anos depois atingíamos o montante de mil e cem associados. Um espanto! Quando comprávamos o livro do mês os funcionários das editoras ficavam abismados. Nem mesmo as distribuidoras compravam tantos exemplares de uma única obra.
 
3    Depois veio a campanha?
                   Desde o início do CLE em Bauru, sentindo a importância desse trabalho, passei a divulgá-lo em artigos publicados pela imprensa espírita. Wallace Leal V. Rodrigues, redator da RIE na época, com o qual eu mantinha contato, publicou notas sobre o assunto na revista. Na RIE de dezembro de 1974 ele deu destaque a uma notícia sobre o CLE, convidando os interessados a me procurarem. Em 1976 iniciamos um movimento de caráter nacional, para instalação do CLE em outras cidades. Anúncios foram publicados nos jornais e revistas espíritas, preparados pelo nosso confrade Merhy Seba, professor de publicidade.
 
4 –    Como as pessoas colocavam a idéia em prática?
                   Escrevemos um livreto singelo, O Ovo de Colombo, que era remetido gratuitamente aos interessados, com todas as orientações necessárias para a instalação do CLE. Paralelamente, por onde eu passava, em jornadas de palestras, deixava exemplares, empenhado no mais difícil: convencer os dirigentes espíritas de que se trata de um extraordinário veículo de divulgação. A indiferença e a falta de iniciativa são lamentáveis entraves às iniciativas mais promissoras.
 
5 –    Por que o título “O ovo de Colombo”?
                   Num jantar em sua homenagem, na Espanha, após a descoberta da América, alguns convidados menosprezaram o feito de Colombo, dizendo que qualquer um poderia ter realizado tal proeza. Colombo lhes propôs, então, que colocassem um ovo em pé. Ninguém conseguiu. O navegador tomou o ovo, quebrou uma das extremidades e ele próprio realizou o prodígio. A expressão passou a significar algo fácil de fazer depois que alguém o faça. Esse título para a campanha passava a idéia de algo muito simples e produtivo na divulgação do livro espírita, na base do “por que não pensamos nisso antes?”. 
 
6 –    Qual a tônica da campanha?
                   Enfatizávamos tratar-se de uma atividade capaz de beneficiar todas as partes envolvidas: a editora, que aumenta as tiragens; o leitor, que compra o livro mais barato; a livraria, que vende mais, e o Espiritismo, que caminha mais depressa.
 
7 –    Como você vê esse movimento na atualidade?
                   Há centenas de CLE espalhados pelo Brasil, dinamizando de forma notável a divulgação do livro espírita. Quando lançamos a campanha. as editoras espíritas produziam tiragens de mil a três mil exemplares. Hoje é comum vermos tiragens de dez mil exemplares. Meu livro Quem tem medo da morte?, da CEAC-Editora,já vendeu perto de duzentos e vinte mil exemplares, em sua maior parte comercializados pelos CLE. A mesma editora está lançando meu romance Mudança de Rumo com uma tiragem inicial de quinze mil exemplares.
 
8 –    Como pioneiro na divulgação do CLE, o que você espera desse movimento?
                    Eu gostaria de ver um CLE em cada cidade, com ramificações em todos os Centros Espíritas, a colaborarem na distribuição e registro de sócios, favorecendo o avanço da Doutrina Espírita. Lembro uma manifestação feliz de Albino Teixeira, em psicografia de Francisco Cândido Xavier: Amparar o Livro Espírita e distribuí-lo é participar dos interesses da Providência Divina, realizando preciosos investimentos de luz e verdade, amor e renovação entre os homens.

2010 - Richard Simonetti