Pingafogo

Ainda os Clubes do Livro Espírita

1 –    Por que, embora os benefícios evidentes dos Clubes do Livro Espírita para a divulgação da Doutrina, há Centros alheios a esse serviço?
                   Há um misto de desinformação e desinteresse. Dirigentes espíritas pouco afeitos à leitura dos periódicos espíritas e à participação em movimentos de unificação, simplesmente não têm idéia dos benefícios do CLE. Por outro lado, há os que conhecem o assunto, sabem de seus benefícios, mas não querem complicações. Limitam-se a atividades rotineiras, resistindo às inovações que poderiam dinamizar a instituição sob sua direção. É lamentável.
 
2 –    Se o Centro é pequeno, frequência diminuta, não fica inviável a instalação do CLE?
                   Seria conveniente que os dirigentes avaliassem sua atuação, porquanto, pelos esclarecimentos e benefícios que o Espiritismo oferece, há algo de errado com o Centro a patinar em reduzida frequência. Por outro lado, com dez associados, a começar pelos próprios diretores, podemos instalar um CLE.
 
3 –    Uma alegação frequente de dirigentes espíritas que resistem à instalação do CLE diz respeito à falta de voluntários para assumir o encargo.
                    Uma pessoa de boa vontade é suficiente para cuidar do CLE. Se não há, o Centro está com problemas. Talvez não esteja motivando suficientemente os frequentadores. É preciso deixar bem claro que o espírita que não assume encargos, limitando-se à condição de ouvinte e beneficiário de reuniões, não entendeu a conceituação doutrinária. Ser espírita é sinônimo de participação.
 
4 –    Como diretor do Centro Espírita Amor e Caridade, de Bauru, que mantém a CEAC-Editora, o que você tem observado quanto ao funcionamento dos CLE?
                   Há alguns problemas no relacionamento das editoras com os CLE. O principal diz respeito ao aspecto financeiro. Há uma insistência, que raia à imposição, em relação ao preço dos livros. Clubes que fixam a mensalidade em perto de 12 a 15 reais pretendem que a editora os venda abaixo de 5 reais. Passam a idéia de que não estão preocupados em sustentar o serviço, mas em aumentar os lucros. É preciso que os dirigentes reconheçam que as Editoras, em sua maior parte, não têm objetivos comerciais, mas de divulgação. Se não há uma margem razoável, fica difícil sustentar a publicação e reedição de livros.
 
5 –    Seria pensar na editora, não apenas no CLE…
                   Exatamente. O dirigente do CLE não pode lidar com a editora como diretor de poderosa empresa, que se julga no direito de impor preços porque compra em quantidade razoável, colocando o fornecedor em autêntica corda bamba, já que ele depende da comercialização do produto para sustentar seu negócio.
 
6 –    E quanto ao conteúdo dos livros, seria razoável uma avaliação, preservando-se a pureza doutrinária?
                   Creio que seria ocioso em relação às editoras espíritas tradicionais, como o próprio Clarim, que tem esse cuidado. O problema é quanto à escolha do gênero literário. Os CLE estão priorizando romances, sob alegação de que há uma aceitação maior.  
 
7 –    Algo contra os romances?
                   Emabsoluto. Eu mesmo tenho dois publicados, O Vaso de Porcelana e, mais recentemente, Mudança de Rumo. O problema é que o romance tem a Doutrina como mera moldura, priorizando a ficção, já que raramente a ação envolve algo que vá além da imaginação do autor encarnado ou desencarnado. É preciso priorizar a Doutrina, colocar conteúdo doutrinário, não na moldura, mas no quadro todo.
 
8 –    Não é razoável a preferência por romances, no CLE, tendo em vista o gosto dos leitores?
                   Seria razoável o dirigente do CLE considerar se a intenção é vender livros ou divulgar a Doutrina. Se optar pela Doutrina é indispensável que se empenhe por habituar o leitor a outros gêneros literários, procurando, inclusive, selecionar a boa literatura espírita, livros com amplo conteúdo doutrinário, exposto de forma agradável, clara e objetiva, que o associado do CLE vai amar.

2010 - Richard Simonetti