Pingafogo

Dificuldades a superar no Ano Novo

1 –    Fala-se que estamos na Terra para sofrer, enfrentando ofensas, incompreensões, agressões e que não devemos reagir, nem guardar mágoas... Qual a receita?
                     Depende do estágio em que nos encontramos. Se for o da taba, será difícil conter o impulso de reagir na proporção dos estímulos recebidos, em termos de ele verá do que sou capaz! Conquistaremos a civilização quando estivermos tão empenhados na pertinência do Evangelho que jamais nos irritaremos com as impertinências alheias.
 
2 –     Como agir diante de colegas de serviço que caçoam de minha condição de espírita?
                     Agradeça a Deus pela suavidade do testemunho a que é convocado. No passado costumavam queimar os cristãos ou transformá-los em objeto de caça para feras famintas. Eles submetiam-se ao martírio entoando hinos de louvor a Jesus. Você não precisa chegar a tanto. Apenas sorria. Se não reagir negativamente seus colegas perderão a motivação.
 
3 –    Há cinco anos frequento o Espiritismo. Sou médium, e ainda não consegui ser uma espírita caridosa. Sempre que penso em fazer algo, dá errado. É problema material ou espiritual?
                     É problema de orientação. O exercício da caridade não pede lugar, tempo, espaço, circunstância… Não é um comportamento para determinada situação, mas uma atitude perante a vida. Assim, nas vinte e quatro horas do dia somos convocados ao seu exercício, na ajuda à família, ao necessitado, à comunidade… Na medida em que nos imbuímos desse propósito e o colocamos em prática, multiplicam-se as possibilidades de sermos caridosos, até mesmo em iniciativas singelas como a remoção de uma pedra na via pública, passível de provocar acidentes.
 
4 –    Às vezes penso em me vingar de pessoas que me fazem mal, mas me seguro. Mesmo assim cometo grave pecado só em pensar?
                     Considerando com Jesus que o pecado mora na intenção, se você pensa em revidar, está enquadrado. Menos mal se consegue conter-se. Melhor ainda se não se aborrecer, considerandoque prejuízos morais e materiais de que sejamos vítimas, acabam por nos fazer bem. Testam nossas aquisições morais do presente, resgatam nossos débitos do pretérito.
 
5 –     Estou tentando mudar o meu modo de viver. Tenho conseguido algum progresso. Deixei de falar palavrões, evito o mau humor, e não retruco quando me incomodam, mas às vezes sinto imensa tristeza, choro muito, depois passa. O que é isso?
                     É o homem velho reclamando, sob inspiração de seus amigos espirituais, obsessores que exploram suas mazelas e que não querem perder o domínio que exercem sobre você. Batalham para não ficar sem seu instrumento. Insista no caminho escolhido. Eles acabarão desistindo e você terá uma vida mais tranquila e feliz.
 
6 –     O tipo de vida que levamos é predeterminado? A minha é uma droga.
                     Depende do que você pretende ao falar em droga. Se for remédio, nossa vida geralmente é, sim, uma droga. Dificuldades, dissabores, problemas variados que enfrentamos na Terra, são remédios abençoados que nos curam as mazelas do egoísmo, aproximando-nos de Deus. Se você usa o termo no sentido pejorativo, de experiência ruim, é um usuário de sentimentos negativos. Experimente desintoxicantes como otimismo e bom ânimo, com uma pitada de Evangelho.
 
7 –     “Errar é humano, insistir no erro é burrice” – diz o velho ditado. Por que, mesmo sabendo que algo é errado, reincidimos? Como fazer para que isso não aconteça?
                     É que ainda estamos mais próximo das bestas, dista ditado.Suicida,ntes dos anjos. Daí o fato de empacarmos com frequência, nos caminhos de nossa renovação, em reiterados enganos. Por isso, Paulo proclamava (Rm, 7:19): Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Não obstante, aprendemos com o Espiritismo ser imperioso que lutemos contra nossas tendências, fazendo prevalecer o Bem, antes que venham os esporões da Dor para nos desempacar.
 
8 –    Embora estudando o Espiritismo, não consigo vencer minhas angústias. Trago marcas profundas. Fui muito magoada no passado por pessoas de meu relacionamento. Por que isso acontece?
                     Cultivar o passado é revivê-lo a cada momento. Você está agindo como alguém que impede a cicatrização de um ferimento, aplicando-lhe ácido, diariamente. Quando deixar de ter pena de si mesma e viver o presente, sepultando o passado, ficará bem.

2010 - Richard Simonetti