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Entidades Filantrópicas

01 – Que dizer de entidades assistenciais fundadas por grupos ligados ao espiritismo sem caracterizá-las, estatutariamente, como espíritas?
É uma lástima. Se o grupo é espírita e pretende um trabalho inspirado nos ideais da doutrina, não há porque não oficializar essa condição.

02 – Alegam seus dirigentes que assim procedem para conseguir verbas junto aos poderes públicos.
Durante muitos anos os poderes públicos pressionaram para que a Creche, o Albergue, e o Centro de Triagem de Migrantes, do Centro Espírita Amor e Caridade, de Bauru, deixassem de ser departamentos da instituição e se transformassem em entidades autônomas, sem vinculação religiosa. A direção resistiu, mesmo ante as ameaças de corte de verbas. Hoje não há mais esse problema.

03 – E quando a entidade depende exclusivamente dessas verbas e é ameaçada?
Entidade que vive exclusivamente de verbas governamentais perdeu sua identidade. É mera sucursal do governo, trabalhando de graça, com atendimento precário, já que as verbas são irrisórias. Devemos evitar essa dependência total, que tira nossa autonomia.

04 – Qual o maior problema que essa situação pode gerar?
Se a entidade não se situa como espírita de direito (estatutariamente), apenas de fato (direção espírita), poderá cair nas mãos de grupos não vinculados à doutrina, como já vi acontecer inúmeras vezes.

05 – O que deve ser feito para evitar-se esse problema?
Nos estatutos devem constar três artigos fundamentais: o que revela que se trata de uma entidade espírita; a exigência de que sócios e dirigentes sejam espíritas; e a disposição de que no caso de dissolução da sociedade o patrimônio irá para entidade similar (espírita).

06 – E quando a entidade já está constituída há muitos anos?
Faça-se uma mudança dos estatutos, para inclusão dessas disposições.

07 – E as entidades que vivem das verbas governamentais?
Devem pensar seriamente no assunto, transformando-se em entidades espíritas, não apenas dirigidas por espíritas.

08 – Mesmo perdendo as verbas?
Se a entidade realiza um bom trabalho isso não acontecerá. Os órgãos governamentais terão interesse no serviço, como aconteceu com o CEAC.

2010 - Richard Simonetti