Pingafogo

Consultas

1 – O que se deve fazer com meu pai? Depois dos sessenta só pensa em bailes e bebidas, a viver como um adolescente, aborrecendo-nos a todos, principalmente minha mãe.
Quem não cultiva o discernimento e a responsabilidade, tende a repetir na madureza o comportamento inconseqüente da adolescência. Pensa muito em si mesmo e descuida-se de suas responsabilidades, empenhado em “curtir” a vida. Inútil “esquentar a cabeça”. É preciso aguardar que venha a mestra dor a impor-lhe suas disciplinas rigorosas.
2 – Tenho graves problemas de relacionamento com meus familiares, muitas divergências e brigas. Fomos inimigos do passado?
Pode ser. Esteja certo, entretanto, de que Deus não nos reúne no lar para vivermos às turras. estas decorrem muito mais de nossa deseducação no presente do que dos desentendimentos do passado.
3 – Por que quando praticamos o bem as pessoas muitas vezes não nos compreendem nem são gratas?
É preciso saber se esse “fazer o bem” foi realmente algo bom para a pessoa a que se destinava. Em caso afirmativo, a satisfação por termos cumprido um dever é a única gratificação de que devemos cogitar. Quem cobra gratidão age como mero mercador, não dá nada. Daí a frustração quando os beneficiários não correspondem às suas expectativas.
4 – Tenho amigos que se dizem interessados em espiritismo, mas, se lhes recomendo a leitura de determinado livro, não lêem; se os convido a freqüentar o Centro, não comparecem; se lhes falo a respeito de questões doutrinárias, duvidam. Como lidar com gente assim?
Não lide. Não estão realmente interessados. Não perca tempo com eles.
5 – Tendo aprendido com a Doutrina Espírita que é preciso participar de obras assistenciais, ajudar pessoas carentes, visitar enfermos, socorrer necessitados... Mas como fazer tudo isso se há uma correria danada para atender aos compromissos familiares e profissionais?
Trata-se de uma questão de preferência. Sempre encontramos tempo para fazer o que desejamos.
6 – Que se pode dizer das pessoas que participam de um centro espírita com boa vontade e de repente vão se distanciado sem se aperceberem?
Foi fogo de palha. Mero entusiasmo passageiro, sem a consciência dos imperativos de serviço e aprendizado decorrentes do conhecimento espírita.
7 – Como perseverar nos trabalhos doutrinários e assistenciais sem nos sentirmos meramente impelidos por uma obrigação?
Num planeta de expiação e provas como a Terra, onde o egoísmo é a marca dos corações, raros se dispõem ao serviço do bem. Devemos nos sentir felizes pela abençoada iniciação espírita que nos induz a fazer algo em benefício do próximo, despertando-nos para a fraternidade, ainda que por mero dever.
8 – Começa no interesse em receber benefícios e termina na vocação de servir?
Exatamente. Hoje vacilamos, não somos firmes e assíduos porque nos inspiramos tão somente no propósito de merecer o céu; mas amanhã faremos melhor, quando sensibilizados com o sofrimento alheio sentirmos o nascer do amor em nossos corações. Então estaremos perto dos heróis do desprendimento e da dedicação ao próximo.
 

2010 - Richard Simonetti