Pingafogo

Maria

01 – Como o Espiritismo vê o dogma da Imaculada Conceição, da Igreja Católica?
Uma história da Carochinha. Parte de uma premissa inaceitável, segundo a qual todos nascemos com a marca de um suposto pecado original cometido por um suposto casal, Adão e Eva, num fabuloso paraíso. Segundo esse dogma, a mãe de Jesus, o “Deus encarnado”, não poderia ter essa mácula. Então deram-lhe uma “graça de exceção”. Teria sido o único ser humano nascido sem o pecado original.

02 – Trata-se de uma fantasia teológica?
Da maneira como se pretende, sim. Se considerarmos Maria como um espírito superior que transcendia as limitações de nosso Planeta, diríamos que ela se apresentava imaculada naquela conjuntura. Na Revista Espírita, janeiro de 1862, Kardec situa Maria como um espírito não comprometido com as mazelas humanas, que veio das esferas superiores para colaborar com jesus.

03 - E quanto à virgindade de Maria?
Outra fantasia medieval, inspirada no princípio de que o mensageiro divino não poderia nascer de uma comunhão sexual, num tempo em que o sexo era considerado algo pecaminoso e sujo.

04 - O pai legítimo foi José?
Sem dúvida. É algo delirante supor que o próprio criador houvesse fecundado Maria, na pessoa do Espírito Santo. Jesus era filho de José e possivelmente tinha irmãos, como sugerem os textos evangélicos.

05 – E quanto ao dogma da assunção de Maria?
A culminância de um imbróglio em que se envolveram os teólogos medievais, ao proclamarem que a raça humana passou a ter a experiência da morte por causa do pecado original. Se Maria, por “graça de exceção”, nasceu incontaminada, não poderia morrer. Assim, decidiu-se que ela não morreu. Foi arrebatada aos céus em corpo e espírito. Não há limites para a fantasia quando renunciamos à lógica e ao bom senso.

06 – Que dizer do culto a Maria que caracteriza o comportamento de muitos espíritas?
André Luiz explica, em ação e reação, psicografia de Chico Xavier, que Deus atende as criaturas por intermédio das criaturas. Não estamos impedidos, portanto, de reverenciar maria como uma mãe espiritual da humanidade, em face de sua elevada missão e de sua grandeza espiritual, tanto quanto reverenciamos bezerra de menezes, Eurípedes Barsanulfo, Cairbar Schutel ou outros vultos do movimento espírita.

07 – Mas não há excessos, uma mariolatria?
Isso ocorre. Mas antes de simplesmente criticar é preciso ajudar os companheiros, não raro egressos do catolicismo, ainda presos às fórmulas exteriores, a compreenderem que o verdadeiro culto é um ato do coração. E é no coração, isto é, cultuando sentimentos elevados de fraternidade que devemos reverenciar espíritos superiores, imitando seus exemplos.

08 – Nossas orações atingem a esfera de Maria quando a ela nos dirigimos?
Se sinceras e ardentes, nossas preces sempre chegam ao seu destino. Os grandes benfeitores da humanidade, como Maria, sustentam equipes de servidores para analisar aquelas que lhes são dirigidas. Quanto ao atendimento a questão é mais complexa, porquanto as respostas do céu subordinam-se a variados fatores, destacando-se nossas necessidades reais e, sobretudo, nosso merecimento.


 

2010 - Richard Simonetti