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Maternidade

1 – Como podemos situar a maternidade?
É uma gloriosa tarefa. Sabemos que a educação é o caminho mais curto para sagradas realizações. As primeiras noções, as mais importantes, recebemos no lar. A mulher situa-se, assim, como uma colaboradora de Deus, no encaminhamento de seus filhos para a Vida.

3 – E o pai?
Tem idênticas responsabilidades, mas o envolvimento da mulher é, sem dúvida, maior, a começar pelo fato de que ela carrega o filho durante nove meses no ventre, sentindo-o, literalmente, “carne de sua carne”, parte de si mesma.

3 – Há mulheres despreparadas para a maternidade, com um comportamento indisciplinado, passível de exercer influência negativa sobre os filhos. Por uma questão de “profilaxia espiritual” não seria razoável lhes fosse vedada a maternidade?
Essa “profilaxia” é a própria maternidade, que desperta na mulher sentimentos de amor e solicitude que a ajudarão a vencer suas limitações, oferecendo-lhe novas perspectivas. Raras mulheres não experimentam aquele “desdobrar fibra por fibra o coração”, a que se refere Coelho Neto, no poema famoso, como um toque de espiritualidade inerente às experiências com a prole.

4 – E quando isso não acontece? Será justo submeter o filho à sua influência?
Uma mulher pode não ser a mãe ideal para seu filho, mas é a mãe que melhor corresponde às suas necessidades evolutivas, envolvendo algo do passado de ambos, indevassável ao olhar humano. Aqui vale a expressão: Deus sabe o que faz.

5 – Nesses casos, estaríamos diante de um carma?
Todas as experiências humanas envolvem problemas cármicos. Estamos submetidos a um mecanismo de causa e efeito que nos impõe incessantes contatos com nossos associados do passado, para desfazer aversões e consolidar afeições. Como sabemos, isso ocorre particularmente no lar.

6 – Há mães ternas e gentis, que se dedicam inteiramente aos filhos. Não obstante, enfrentam duras dificuldades com os eles. São, desregrados, agressivos, irresponsáveis. É seu carma?
Pode ser. Talvez tenham comprometimentos com eles, do pretérito. Prefiro considerar, em casos dessa natureza, que estamos diante de heróicas personalidades femininas, dispostas a ajudar velhos associados, que vêm marcando passo nos caminhos da evolução. São, mal comparando, anjos entre criminosos, lidando por regenerá-los.

7 – Que dizer aos filhos que guardam ressentimentos em virtude de um relacionamento conturbado com suas mães?
Quando nos conscientizamos da importância da experiência humana, em relação à nossa evolução, fatalmente reconhecemos, que, não obstante suas limitações e possíveis deficiências, nossa mãe asilou-nos durante nove meses em seu ventre para nos abrir a porta da reencarnação. Isso é suficiente para entronizá-la no altar de nossa gratidão e de nosso respeito.

8 – E as mães desencarnadas, continuam ligadas a seus filhos?
O amor transcende as fronteiras da morte. Temos na Doutrina Espírita o consolador prometido por Jesus justamente porque nos oferece a confortadora certeza de que nossos amados, quando partem para a Vida Espiritual, não permanecem em compartimentos estanques, nem se distanciam, irremediavelmente. As mães continuam a preocupar-se com seus filhos. Convertem-se em numes tutelares, a ampará-los nas lutas da existência. Qualquer pessoa dotada de sensibilidade, cuja genitora tenha desencarnado, intui a presença do carinho materno nos momentos mais difíceis.


 

2010 - Richard Simonetti