Pingafogo

A Obra do Século

01 – Vivemos o último ano do Século XX. Desde o exercício passado são listados acontecimentos e personalidades que se destacaram. Qual seria, na sua opinião, o livro espírita mais importante dos últimos cem anos?
Eu elegeria não um livro, mas um conjunto deles, envolvendo o trabalho maravilhoso do espírito André Luiz, na série que começa com Nosso Lar e completa-se com evolução em dois mundos. temos nesses livros uma gloriosa visão do mundo espiritual, como jamais foi oferecida ao homem.

02 – Há quem situe a obra de André Luiz como uma nova revelação, um passo adiante na história do espiritismo. Seria isso?
É , sem dúvida, um passo adiante, mas não uma nova revelação. André Luiz simplesmente desdobra, desenvolve o conhecimento veiculado nas obras de Kardec. O que na codificação está sintetizado, em André Luiz aparece ampliado.

03 – Quando o primeiro livro da série, Nosso Lar, foi lançado, causou impacto e muita gente achou a obra fantasiosa, já que apresenta uma plano espiritual semelhante à terra, com casas, objetos, meios de transporte, hospitais… Ainda hoje há quem pensa assim.
André Luiz exige aprendizado prévio da Doutrina Espírita. Tendo conhecimento da existência do perispírito, um corpo espiritual feito de matéria em outra faixa de vibração, veículo de atuação do espírito no plano em que estagia, não há por que imaginar algo diferente. O perispírito tem substância, possui morfologia, ocupa lugar no espaço; portanto, deve viver num mundo de formas. Problemático seria sustentar a idéia de algo inteiramente diferente.

04 – Alega-se que é semelhante demais…
Aqui entra a questão da terminologia. André Luiz refere-se, freqüentemente, à dificuldade de abordar certas situações do mundo espiritual para seus leitores, em virtude da ausência de elementos de analogia. Algo como descrever a luz para um cego. Ele se serve do que conhecemos para descrever o que sequer imaginamos.

05 – Não é estranho que um médico indisciplinado, que foi um suicida inconsciente, morreu antes do tempo, em face de suas extravagâncias, e estagiou oito anos no umbral, tenha sido escolhido para esse trabalho?
Consta que André Luiz é Carlos Chagas, o grande cientista, que se destacou como um dos maiores benfeitores brasileiros no campo da medicina. Chico Xavier o teria revelado. Portanto, ainda que tenha estagiado em regiões umbralinas, por motivos que a Deus pertence, tinha plena condição para a tarefa que lhe foi conferida, em face de seus largos dotes de cultura e conhecimento. De qualquer forma, oportuno destacar que André Luiz é o relator de um trabalho de equipe, orientado por Emmanuel, o sábio mentor espiritual que assiste o médium de Uberaba.

06 – O que você destacaria na coleção André Luiz?
Há tantos aspectos importantes que seria complicado enumerá-los. Um destaque fundamental: ressumbra na obra de André Luiz a presença de Deus no Universo, impondo a justiça mas sustentando o amor e a misericórdia, a nos oferecer infinitas oportunidades de reabilitação e reajuste, quando nos transviamos.

07 – É surpreendente observar o clima de serenidade e paz, vigente em Nosso Lar, sob império dos valores evangélicos que parecem orientar a cidade. Chegaremos um dia a esse estágio, na Terra?
Sim, quando o egoísmo deixar de ser o móvel das ações humanas. Os cidadãos de Nosso Lar, sem exceção, trabalham em benefício da coletividade, no empenho de servir. Numa sociedade onde todos se unem em favor do bem comum, instala-se o Reino de Deus.

08 – Como você vê o futuro da obra de André Luiz?
Vejo-a nas Universidades, quando os doutos e os sábios despirem a arrogância; Vejo-a nos templos e nas igrejas, quando os religiosos renunciarem às fantasias. Reconhecendo as realidades espirituais e o intercâmbio com o além, todos terão muito a aprender com esse maravilhoso compêndio de sabedoria que deus nos concedeu para acelerar nossa jornada, rumo ao infinito.

2010 - Richard Simonetti