Pingafogo

Literatura Mediúnica

01 – A que atribuir a profusão de livros mediúnicos que são publicados na atualidade?
Á falta de critério de algumas editoras, mais interessadas em aumentar a listagem de seu títulos do que preservar a pureza doutrinária. Há também uma facilidade maior, a chamada “edição do autor”. Com os recursos atuais de informática e computação gráfica ficou fácil. E ficará ainda mais simples com o advento de máquinas capazes de produzir rapidamente tiragens mínimas a preço reduzido.


02 – Se o espírito se dá ao trabalho de transmitir um livro mediunicamente não está implícito que deve ser publicado e divulgado? Não é essa a função da psicografia?
O fato do médium entrar em contato com o mundo espiritual pela palavra escrita não significa que sua produção deva ser divulgada. É, em princípio, uma experiência pessoal um exercício mediúnico, algo semelhante ao que ocorre com os alunos que aprendem a escrever. imaginemos a confusão se todos pretendessem publicar seus exercícios de escrita!

03 – Não é frustrante para o médium ouvir que deve considerar mero exercício, não destinado a publicação, o livro que psicografou com carinho e dedicação?
Sim, se dominado pela vaidade. Uma menina mostrou à sua professora um livro que escrevera. Queria enviá-lo a uma Editora. Formatado em computador, bem diagramado, tinha um belo visual, mas o conteúdo era um desastre, em todos os aspectos. Poderia ser tomado à conta de esforçado exercício. Só isso. O mesmo se aplica aos médiuns que se iniciam na psicografia. Melhor não alimentarem ilusões…

04 – Não é desestimulante considerar assim?
não, se reconhecer que é um aprendiz a exercitar sua sensibilidade na psicografia. um chico xavier é produto de muitas existências voltadas para o exercício mediúnico, com dedicação e disciplina.


05 – Que conselho você daria a alguém que começa a psicografar?
Cultive o hábito da leitura, estude as obras básicas do espiritismo, particularmente “O Llivro dos Médiuns”, observe a disciplina, conserve a autocrítica e não se preocupe em publicar livros. Não tenha pressa. Dê um tempo…


06 – E quando há um livro pronto e o próprio autor espiritual recomenda que seja publicado?
Submeta-o a apreciação de companheiros espíritas habituados à literatura, pedindo-lhes referências quanto ao conteúdo, a gramática. Se aprovado sem restrições, com o atestado de que o autor espiritual também não é um aprendiz, então sim, remeta a uma editora espírita.


07 – E quanto ás editoras?
Deveriam privilegiar a pureza doutrinária, elegendo um conselho editorial para rigorosa apreciação dos originais recebidos. Divulgar má literatura, principalmente quanto favoreça controvérsias e fantasias, é desserviço ao espiritismo, cometido sempre que o interesse pecuniário prevalece sobre a consciência doutrinária.


08 – Como deve proceder o leitor ao comprar livros psicografados? Se não tem ainda uma base doutrinária e condições para separar o “joio do trigo”, deve ater-se aos médiuns consagrados, reconhecidamente capazes de produzir obras literárias que veiculam satisfatoriamente a mensagem espírita. Dentre eles, Francisco Cândido Xavier, Yvonne Pereira, Divaldo Pereira Franco, Carlos Bacelli, Raul Teixeira…

2010 - Richard Simonetti