Pingafogo

O Caso Rubens Faria Júnior

01 – A mídia vem explorando com algum sensacionalismo o caso Rubens Faria Júnior, um médium que supostamente recebe o Dr. Fritz para cirurgias. Denunciado como mistificador, ele responde a processos por exercício ilegal de medicina. Isso não compromete o Espiritismo?
É preciso distinguir mediunismo de Espiritismo. A mediunidade é uma faculdade inerente ao homem. Encontramos mediunismo nos terreiros de umbanda, no pentecostalismo evangélico e no movimento carismático católico. Há também médiuns envolvidos com leitura da sorte, trabalhos espirituais, cirurgias e aconselhamentos que nada têm a ver com o espiritismo. É o que acontece com esse nosso irmão.

02 – Rubens Faria Júnior não é espirita?
Obviamente, não. Um único detalhe é suficiente para demonstrar isso: Ele cobra por seu trabalho. O exercício da mediunidade no espiritismo deve ser absolutamente gratuito, atendendo ao que Jesus recomendava. Devemos dar de graça o que de graça recebemos. A mediunidade é um dom espiritual que não pode ser comercializado.

03 – Quem ouve falar de um médium de curas tende a identificá-lo como espírita. Não deveria a Federação Espírita Brasileira ou algum órgão estadual estabelecer uma fiscalização sobre essas práticas que comprometem o Espiritismo?
O movimento espírita não é institucionalizado, nem profissionalizado, nem possui relação hierárquica entre seus membros. Temos na igreja católica, por exemplo, o padre Marcelo Rossi que desenvolve práticas heterodoxas na sua atividade como sacerdote. Há quem goste e quem não goste, na hierarquia católica. Se prevalecer a opinião do clero que desaprova ele poderá ser advertido e até ter suspensas suas funções. Isso não aconteceria no Espiritismo. Os centros espíritas participam de um movimento de unificação doutrinária de caráter municipal, regional, estadual e nacional, mas sem relação de subordinação ou dependência. Além do mais é preciso reiterar sempre que essas práticas são desenvolvidas fora dos arraiais espíritas.


04 – Rubens Faria Júnior é um mistificador que se diz médium?
É mais correto dizer que é um médium que se transformou em mistificador. Conheço pessoas que foram beneficiadas por cirurgias que ele realizou no início de seu trabalho, num tempo em que não cobrava. Quando o médium se deixa dominar pela ambição sofre o que Kardec denomina “suspensão da mediunidade”. A tendência, então, é mistificar, já que não se conforma em perder a fonte de renda.

05 – Quem é o espírito Fritz que se manifesta pelo médium?
Fritz era um médico alemão que operava sem instrumental cirúrgico, usando facas e tesouras. Incorporava o médium José Pedro de Freitas, que se tornaria internacionalmente conhecido como Arigó. Foi um grande médium. Depois de sua morte, em acidente automobilístico, muitos médiuns vêm realizando cirurgias, supostamente sob orientação do mesmo Fritz.

06 – Por que supostamente?
O nome Fritz é comum na Alemanha. Eqüivale ao nosso José. Podem existir outros operando. E há também espíritos ou médiuns que se apropriam de seu nome para impressionar as pessoas.

07 – Isso seria mistificação…
Acontece com freqüência. Entendo que se o Dr. Fritz voltasse a operar em reuniões mediúnicas, certamente daria outro nome para evitar suspeição, tanto quanto acharíamos estranho emmanuel manifestar-se por outro médium que não Chico Xavier. O nome é secundário para espíritos empenhados em servir.

08 – Quando esse trabalho é autêntico, qual a sua finalidade?
Beneficiar doentes e chamar a atenção dos homens para o mundo espiritual. Uma cura dessa natureza impressiona as pessoas e as faz pensar que, como dizia Shakespeare, há mais coisas entre o Céu e a Terra do que supõe nossa vã sabedoria.


 

2010 - Richard Simonetti